Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta segunda-feira (28) por duas horas com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio da Alvorada, em Brasília, para discutir um conjunto de propostas econômicas e fiscais que podem ser encaminhadas ao Congresso Nacional. De acordo com o jornal O Globo, o encontro focou em medidas de ajuste fiscal e mudanças estruturais, incluindo alterações no seguro-desemprego e no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Segundo fontes próximas à equipe econômica, o presidente determinou que a discussão sobre reajustes no salário-mínimo e modificações em benefícios permanentes seja temporariamente interrompida. A prioridade da equipe é desenvolver um pacote fiscal estimado entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões, com o objetivo de garantir a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.
Após retornar de uma viagem aos Estados Unidos, onde participou de votações do Banco Mundial em Washington, Haddad se prepara para embarcar para a Europa no início de novembro. A agenda coincide com a aproximação da cúpula do G20, marcada para ocorrer na segunda quinzena de novembro no Rio de Janeiro. Com esses compromissos internacionais à vista, a atual semana é considerada decisiva para alinhar as propostas fiscais do governo, que aguardava o fim das eleições legislativas para intensificar o debate interno.
Governo Alinha Discurso de Cortes com Foco em Eficiência e Investimentos
Apesar de ainda não terem sido divulgadas oficialmente, as propostas de cortes de gastos geraram declarações alinhadas entre os principais nomes do governo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendeu a necessidade de reduzir despesas em áreas de políticas públicas consideradas ineficientes, ressaltando que a responsabilidade fiscal é essencial para a agenda social. “Não existe social sem fiscal. Os números mostram que não estamos no caminho certo, mas é preciso coragem para eliminar o que é ineficiente”, afirmou Tebet. A ministra destacou que a economia em setores menos produtivos é crucial para aumentar o orçamento de investimentos em infraestrutura, considerada uma prioridade do governo.
No mesmo evento, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também defendeu a implementação de cortes seletivos e criteriosos. Segundo ele, o Brasil reúne condições para alcançar o grau de investimento, situação que poderia atrair volumes maiores de capital estrangeiro. “Temos todas as condições de atingir o grau de investimento. O governo precisa cortar gastos de maneira seletiva, sem comprometer o crescimento dos investimentos”, destacou Mercadante.
Moody’s Eleva Nota de Crédito do Brasil e Reflete Expectativa de Ajuste Fiscal
Recentemente, a agência de classificação de risco Moody’s elevou uma nota de crédito do Brasil, colocando o país em um passo de conquista do grau de investimento, uma meta que a equipe econômica vê como importante para o reposicionamento do Brasil no mercado financeiro internacional. A valorização do país diante das agências de risco ocorre em meio a uma recuperação da confiança do mercado na gestão de Haddad, fator que influenciou positivamente a Bolsa de Valores, com alta de 1,02% no último pregão, e a cotação do dólar, que se manteve estável em R$ 5,70.
Durante uma conferência em Londres, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que um ajuste fiscal robusto poderia criar condições para a queda dos juros de forma sustentável, o que impactaria melhorias nas articulações de inflação e nas expectativas econômicas gerais. Campos Neto reforçou que a redução das despesas públicas não é apenas uma medida para equilibrar as contas, mas um passo essencial para garantir as previsões do novo arcabouço fiscal, especialmente a partir de 2026, quando os gastos obrigatórios tendem a absorver uma parcela ainda maior do orçamento.
Expectativa do Mercado e Reação Econômica
A confiança do mercado nas negociações de Haddad foi um fator relevante para conter a pressão na curva de juros. Pedro Serra, gerente de Research da Ativa Investimentos, avaliou que, embora o governo ainda não tenha apresentado um plano definitivo de corte de despesas, as recentes declarações do ministro ajudaram a melhorar o cenário no mercado. “A mera expectativa de um anúncio de cortes já altera a dinâmica fiscal, e isso tem amenizado o pessimismo dos últimos meses”, declarou Serra. Com a expectativa de medidas mais concretas, as próximas semanas serão determinantes para definir o curso das políticas econômicas do governo Lula e consolidar o compromisso fiscal junto ao Congresso e à sociedade.












