Uma pesquisa do Datafolha mostra que 71% dos brasileiros entre 16 e 24 anos acreditam que a economia está no caminho errado sob Lula III, enquanto apenas 23% dessa faixa etária consideram que segue na trajetória certa.
A percepção negativa se mantém em todas as faixas etárias: entre os que têm de 25 a 34 anos, 68% desaprovam o rumo econômico e 27% o avaliam positivamente; dos 35 a 59 anos, 64% consideram que a economia está no rumo errado, enquanto 33% acham que está no caminho certo/
Já entre aqueles com mais de 60 anos, 55% têm uma visão negativa e 36% enxergam o cenário de forma positiva.
O levantamento ainda mostrou que o otimismo dos brasileiros para 2025 é o menor desde 2020. Apenas 47% acreditam que a situação da população será melhor no próximo ano, enquanto 25% esperam que será pior e outros 25% acreditam que permanecerá igual. Apenas 3% não souberam responder.
Mais de 60% dos brasileiros alegam que a economia brasileira está no caminho errado, aponta Datafolha
Divulgada neste 1º de janeiro, uma nova pesquisa do instituto Datafolha aponta que 61% dos brasileiros consideram que a economia do país está seguindo na direção errada. Apenas 32% avaliam o caminho como correto, enquanto 6% não souberam opinar.
O clima de insatisfação é tão acentuado, que chega a ser generalizado, prevalecendo em 70 dos 80 recortes analisados sobre o perfil dos entrevistados.
O estudo divulgado nesta quarta-feira (1º) foi realizado nos dias 12 e 13 de dezembro, logo após o governo federal anunciar um pacote de ajuste fiscal, criticado por especialistas como insuficiente, e o Banco Central decidir elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, alcançando 12,25% ao ano. O cenário também foi marcado pelo dólar em alta, atingindo recordes históricos.
De acordo com a pesquisa, 45% dos brasileiros acreditam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, um aumento em relação aos 35% registrados no mesmo período de 2023. Por outro lado, aqueles que veem melhora na economia caíram de 33% para 22% no último ano.
O pessimismo com o desemprego também é evidente. Apesar de uma melhora desde março de 2024, quando 46% acreditavam que o desemprego aumentaria, o índice atual é de 41%. Em dezembro de 2023, esse número era de 39%.
O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas em 113 municípios do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O ano de 2025 começa no Brasil sob o impacto de um cenário econômico e político marcado por contradições e promessas não cumpridas. Durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o otimismo inicial de 2023 deu lugar a um ambiente de incertezas que agora se projeta no novo ano, agravado por velhas práticas que colidem com as demandas do presente.
A disparada do dólar, que já ultrapassou a marca dos R$ 6, mostra um mercado financeiro desconfiado, em meio a sinais de descontrole fiscal e uma agenda econômica que falha em gerar estabilidade. A inflação, embora oficialmente dentro das metas, apresenta alta acumulada nos últimos meses, pressionada por itens essenciais como alimentos e combustíveis. A situação, aliada à manutenção de juros elevados pelo Banco Central, sufoca o consumo e desestimula investimentos privados.
A crise fiscal se aprofunda com a dificuldade do governo em aprovar reformas estruturantes no Congresso. A promessa de equilíbrio nas contas públicas enfrenta resistência, tanto no campo político quanto no econômico, à medida que gastos obrigatórios continuam a crescer sem contrapartidas claras de arrecadação
No âmbito político, Lula enfrenta desafios de governabilidade. A coalizão construída com partidos do centrão tem se mostrado frágil, com pautas essenciais travadas por divergências internas. Além disso, as tensões entre o governo federal e os governos estaduais turbinam ainda mais a instabilidade institucional, enquanto as demandas populares por segurança, saúde e educação permanecem em segundo plano.
Com o Brasil entrando em 2025 carregando velhas políticas e desafios não resolvidos, a sensação predominante é de que o ano novo herda problemas antigos. No discurso oficial, o governo promete retomada econômica e justiça social, mas os números no campo real contam outra história, que é de praxe do lulopetismo, uma tradicional e eterno descompasso entre discurso e prática.
Governadores do Nordeste declaram apoio a decreto de Lula que restringe armas por policiais
O polêmico decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que limita o uso de armas de fogo por policiais durante abordagens, gerou ampla discussão e críticas no cenário político nacional, mas também recebeu alguns apoios neste final de ano.
Governadores de estados do Nordeste, assim como sete ex-ministros da Justiça, manifestaram-se a favor da medida, defendendo que ela regulamenta o uso de armas pelas forças policiais de maneira mais responsável.
Esse posicionamento contrasta com a resistência de governadores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que pediram a revogação do decreto, alegando interferência federal em competências que seriam exclusivas dos estados.
Aloysio Nunes Ferreira, ex-ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, declarou à CNN que a resistência ao decreto é baseada em motivações ideológicas. “A polícia só ganha com isso. As pessoas de bem não podem ter medo da polícia devido ao uso desmedido ilegítimo da força”, disse ele.
Além de Aloysio Nunes, outros seis ex-ministros da Justiça apoiaram a medida de Lula em um manifesto público.
Entre os signatários estão José Eduardo Cardozo (governo Dilma Rousseff), Luiz Paulo Barreto e Tarso Genro (governo Lula), Nelson Jobim e Miguel Reale Júnior (governo Fernando Henrique Cardoso) e Raul Jungmann (governo Michel Temer). Segundo eles, a resistência ao decreto pode ser atribuída a disputas políticas ou à falta de entendimento sobre o conteúdo da norma.
Em endosso, os governadores do Consórcio Nordeste divulgaram uma nota oficial no último domingo (29), enfatizando que o decreto presidencial que regula abordagens policiais “não altera a autonomia dos Estados nem as normativas já estabelecidas”.












