O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se nesta segunda-feira (16) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da reforma tributária e do pacote de medidas de corte de gastos em tramitação no Congresso Nacional. Haddad destacou o apelo do presidente para que as propostas sejam preservadas em sua essência.
“O presidente disse ontem que ninguém se preocupa mais com a questão fiscal quanto ele. Nesse sentido, houve uma conversa concreta. Por isso, o apelo que ele faz é para que as medidas não sejam desidratadas”, afirmou o ministro em entrevista.
Haddad destacou que o conjunto de medidas é fundamental para fortalecer o arcabouço fiscal e garantir o cumprimento das metas nos próximos anos. Ele demonstrou confiança no cumprimento das metas fiscais, apesar dos contratempos. “Se não fosse o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) e a desoneração da folha, já teríamos realizado um superávit primário neste primeiro ano de governo”, disse, referindo-se à renúncia fiscal de R$ 45 bilhões.
O Senado aprovou em agosto a extensão da desoneração da folha de pagamento de empresas e municípios até o fim do ano, com reoneração gradual a partir de 2025. Haddad também detalhou ao presidente os debates em curso na Câmara para garantir que Lula tome as providências , como “um telefonema tranquilizador” para acelerar o andamento.
Preocupações com mudanças na reforma tributária
Haddad publicou a preocupação de Lula com alterações feitas pelo Senado no texto da reforma tributária, como a exclusão de armas e bebidas açucaradas do “imposto do pecado”, uma sobretaxa que desestimula o consumo de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
“Discutimos alguns detalhes que preocupavam o presidente, como as armas, e eu não sabia que esse assunto estava sendo debatido. Também tratamos da questão das bebidas açucaradas, devido à saúde pública”, afirmou.
O ministro explicou que todas as mudanças foram comprovadas para que o presidente avaliasse se fosse necessário orientar uma base aliada. “O objetivo é sancionar a reforma tributária ainda este ano, ajustando possíveis divergências entre Câmara e Senado”, completou.
Haddad destacou que a Câmara pode revisar os pontos questionados, caso não haja consenso com o governo, e sinalizou que o debate ainda está em aberto.












