Os ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Henrique Meirelles, que ocuparam cargos de destaque em diferentes períodos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), analisaram o recente pacote de ajuste fiscal anunciado pelo atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Enquanto Mantega defende as medidas, Meirelles aponta alegações e desafios futuros.
Guido Mantega
Guido Mantega, titular da Fazenda entre 2006 e 2015, destacou que as medidas atendem ao objetivo de ajustar as contas públicas dentro do novo arcabouço fiscal. Ele refutou as críticas do mercado financeiro, acusando-o de adotar uma postura sistematicamente pessimista.
“O mercado sempre se julga insuficiente porque é uma tática para pressionar o governo. Cortes radicais em saúde, educação e Previdência não são viáveis. Caso não seja possível alcançar a meta de R$ 30 bilhões em 2025, o Ministério da Fazenda fará contingenciamentos”, afirmou.
Mantega também criticou a alta do dólar, que atribuiu especulações alimentadas por narrativas de desequilíbrio fiscal. Segundo ele, o Banco Central tem sido omisso na administração do câmbio, o que impacta as melhorias na inflação e nos juros.
Henrique Meirelles
Já Henrique Meirelles, que foi presidente do Banco Central nos dois primeiros mandatos de Lula e ministro da Fazenda no governo Michel Temer, classificou o pacote como tímido e insuficiente para estabilizar a dívida pública. Ele enfatizou que Haddad precisará propor novas medidas no futuro.
“A restrição do pacote reflete as dificuldades do ministro em aprovar medidas mais robustas. No entanto, Haddad mantém sua posição fortalecida no governo por sua proximidade com Lula e seu potencial como candidato presidencial em 2026 ou 2030”, avaliou Meirelles.
O ex-ministro também criticou a decisão de incluir no pacote a reforma do Imposto de Renda, que prevê rendas liberadas até R$ 5.000. Ele alertou que o imposto mínimo sobre super-ricos, apontado como tributação, pode não gerar uma arrecadação necessária. Para Meirelles, o pacote deveria conter cortes mais importantes para garantir a sustentabilidade fiscal no longo prazo.
Reações erros e desafios fiscais
A reportagem encobriu outros ex-ministros da Fazenda desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas muitos se recusaram a comentar. Enquanto isso, a polarização entre as visões de Mantega e Meirelles reflete os desafios do governo em equilibrar responsabilidade fiscal e demandas sociais.












