O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, afirma que as explosões em Brasília foram um ato inadmissível —porém, isolado, e praticado por um “desequilibrado”.
Afirma ainda que sua repercussão não deve extrapolar para a política, dando eco à preocupação maior do grupo que defende o ex-presidente: a de que o atentado se transforme em uma barreira intransponível para a aprovação de uma anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e também a Bolsonaro.
“A democracia no Brasil é forte e as instituições estão na plenitude de seu funcionamento”, diz ele, em nota enviada por WhatsApp. “O ato isolado de um desequilibrado é o que é: um absurdo. Mas daí a extrapolar uma atitude mentecapta de um indivíduo para dar contornos institucionais a esse incidente abominável é dizer que nossa democracia não é sólida e resiliente como ela é”, segue Ciro Nogueira.
Ele diz ainda que “isso tem de ser tratado como o que foi: um ato de loucura, de uma pessoa, um ato inadmissível”. E que “o importante é que tudo seja elucidado por investigações absolutamente inquestionáveis e, além de lamentar o episódio, exaltar que não houve nenhuma vítima da explosão além do próprio autor, graças a Deus”.
Após as explosões, parlamentares bolsonaristas falaram em enterro da anistia.
Como mostrou a folha, deputados bolsonaristas afirmaram em grupos de WhatsApp que as explosões na praça dos Três Poderes devem prejudicar a tramitação do projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro na Câmara dos Deputados.
A Folha teve acesso a mensagens que foram enviadas em dois grupos com deputados da oposição.
Em um deles, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) enviou imagem do suspeito da explosão, que seria um ex-candidato a vereador pelo PL. “Parece que foi esse cara mesmo. Agora vão enterrar a anistia. Pqp”, escreveu.
O deputado Capitão Alden (PL-BA) respondeu dizendo que “lá se foi qualquer possibilidade de aprovar a anistia”. “Adeus redes sociais e esperem os próximos 2 anos de perseguição ferrenha! Com certeza o inquérito das fake news será prorrogado ad eternum”, disse.
Em outro, o deputado Eli Borges (PL-TO) escreveu “se tentou ajudar atrapalhou”. “Agora o Xandão [apelido para Alexandre de Moraes] vai dizer: ‘é a prova que o 8 de janeiro era necessário’”.












