O Brasil perdeu uma posição no Índice Global de Inovação (IGI) de 2024, ocupando agora o 50º lugar no ranking da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Desde sua melhor colocação, no 47º lugar em 2011, o país tem lutado para permanecer no topo da lista, tendo realizado novamente o top 50 apenas em 2023, na 49ª posição.
Pontos Fortes e Fracos: A Classificação Brasileira
A OMPI avalia países com base em sete critérios, e o Brasil se destacou em “sofisticação de negócios”, ocupando o 39º lugar, enquanto teve o pior desempenho em “instituições” (103º). Esse último ponto reflete uma estrutura institucional que afeta qualidades do ambiente de negócios, contrastando com o Uruguai, que ocupa a 31ª posição. Entre os indicadores mais críticos, a estabilidade política aparece como um dos maiores desafios para o Brasil, com o país posicionado em 115º lugar entre 133 países analisados, segundo pesquisa com executivos do Fórum Econômico Mundial.
Conforme o sociólogo Glauco Arbix, da USP, a burocracia, mudanças frequentes na legislação e dificuldades de financiamento inibem o risco e o investimento das empresas no país. Apesar das tentativas de governo para melhorar o ambiente de negócios com reformas como a tributária, o excesso de regulamentações e lobbies específicos ainda limitam a efetividade dessas iniciativas.
Reformas e Percepções de Estabilidade
Medidas como a reforma trabalhista e a previdenciária, além do novo arcabouço fiscal, têm sido defendidas pelo governo como essenciais para aprimorar a estrutura institucional do país. Uallace Moreira, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, enfatizou que o compromisso do governo com as reformas permanece inalterado, garantindo a continuidade das regras institucionais. Contudo, ele confirmou que episódios como os ataques de 8 de janeiro prejudicaram a percepção internacional sobre a estabilidade das instituições no Brasil.
O Brasil apresentou leve retorno em “instituições” (de 99º para 103º) e em “capital humano e pesquisa” (de 56º para 57º) em comparação ao índice de 2023. Mesmo com São Paulo sendo o único polo de ciência e tecnologia latino-americano entre os 100 melhores do mundo, a formação em áreas de ciência e tecnologia no Brasil ainda é insuficiente. No ranking global, o país ocupa o 97º lugar na proporção de graduados em ciência e tecnologia, sendo afetado por desigualdades regionais e de gênero.
A professora Sueli Custódio, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), afirma que, além da formação, é necessária uma infraestrutura que envolva empregabilidade e um ecossistema de suporte para manter carreiras em ciência e tecnologia, especialmente em regiões fora do eixo Sul-Sudeste.
Inovações e Limitações na Adoção de Tecnologias
O IGI também aponta que o Brasil possui alguns pontos fortes, como importação de alta tecnologia e serviços de telecomunicações, além de ocupar a 64ª posição na escala Pisa de habilidades em leitura, matemática e ciências para estudantes de 15 anos. Ainda assim, a baixa capacidade de compreensão de novas tecnologias limita o impacto dessas mesmas na economia local. Para Lia Valls, da FGV Ibre, a utilização de tecnologias estrangeiras não indica necessariamente que o Brasil seja um país inovador, mas sim que depende de inovação externa para atender à sua demanda.
Embora as iniciativas como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estejam avançando, especialistas destacam que uma implementação com qualidade é essencial para o desenvolvimento de habilidades no Brasil. Brenda Prata, do Instituto Ayrton Senna, alerta para a importância de investir na capacitação de professores e no monitoramento socioemocional dos estudantes para garantir que os jovens estejam preparados para o mercado de trabalho e para a vida.
Perspectiva Regional e Internacional
Na América Latina e Caribe, o Brasil lidera em áreas como “sofisticação de negócios” (39º), “produção de conhecimento e tecnologia” (50º) e “produção criativa” (42º). Entre os países de renda média alta, o Brasil ocupa o 6º lugar, atrás de China, Malásia, Turquia, Bulgária e Tailândia. Esse desempenho acima da média para sua faixa de desenvolvimento reflete o tamanho do mercado interno e o volume de pedidos de registro de marcas no país.
Cenário Global e Progresso Tecnológico
O relatório da OMPI observa que, após um crescimento expressivo entre 2020 e 2022, os investimentos globais em inovação caíram em 2023, com financiamento de capital de risco, publicações científicas e registo de patentes retornando aos níveis pré-pandemia. Apesar dos avanços em tecnologias emergentes como 5G e veículos elétricos, o desenvolvimento de tecnologias verdes enfrenta obstáculos, especialmente na redução do consumo de energia e dos custos de energias renováveis.
O desempenho do Brasil no Índice Global de Inovação revela tanto avanços quanto limitações. Com iniciativas para melhorar o ambiente de negócios e investimentos crescentes em educação e infraestrutura, o país precisa fortalecer seu sistema de governança e continuar incentivando a inovação local para atingir um patamar mais competitivo no cenário internacional.
Os países mais inovadores, segundo a OMPI
- Suíça
- Suécia
- Estados Unidos
- Singapura
- Reino Unido
- Coreia do Sul
- Finlândia
- Países Baixos
- Alemanha
- Dinamarca












