Na política cambial brasileira, existe uma premissa: o BC não vai intervir no mercado comprando ou vendendo dólares para defender uma cotação, mas, sim, para garantir a funcionalidade do mercado. Então, se os vendedores simplesmente desaparecem de cena, pode ser o momento de a autoridade monetária fazer um leilão de venda de dólares com o objetivo de ajudar o mercado a encontrar uma referência de preço e, assim, destravar as negociações.
A disparada do dólar, que bateu a casa dos R$ 5,80 nesta segunda-feira (5), é resultado de uma dinâmica internacional: não tem nada a ver com problemas locais, nem mesmo com a política fiscal. Ainda assim, o movimento é tão intenso e repentino que o Banco Central pode precisar intervir no mercado com o objetivo de organizar o ajuste de preços que está em curso.
O que está em curso neste momento, é uma reavaliação do cenário de desaceleração da economia americana. De uma semana para outra, indicadores econômicos mostraram que aquele “pouso suave”, que estava se desenhando, ganhou contornos de recessão.
Os dados do mercado de trabalho americano relativos a julho, conhecidos dias depois da reunião do Federal Reserve (Fed), do dia 31 de julho. O payroll, relatório do mercado de trabalho, mostrou a criação líquida de 114 mil postos de trabalho, ante a expectativa de 175 mil vagas.
“A queda das bolsas, por si só, gera um impacto sobre o consumo e a confiança do consumidor”,.
Para o Brasil, esse cenário mais incerto deve ser monitorado pelo Banco Central. Isso pode significar, por exemplo, o adiamento de um eventual aumento de juros. Pode ser uma situação parecida com a de 2008, onde o BC interrompeu o ciclo de alta de juros, com temor da retração das economias americans e europeias.












