O presidente brasileiro classificou a operação militar norte-americana como uma violação do direito internacional e convocou reunião de emergência no Itamaraty.
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom neste sábado (3 de janeiro de 2026) ao se manifestar sobre a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Em declaração oficial, Lula afirmou que a ação militar, que incluiu bombardeios em território venezuelano, “ultrapassa uma linha inaceitável” e representa um “precedente perigoso” para a estabilidade global.
A prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump após uma operação de grande escala conduzida pelas autoridades dos EUA. Em resposta, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência com os ministérios da Defesa, Relações Exteriores e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para avaliar os impactos da crise na fronteira norte do Brasil.
Defesa da Soberania e do Diálogo
Apesar de ter mantido uma relação de distanciamento e cobranças com o regime venezuelano ao longo de 2025 — chegando a não reconhecer oficialmente o resultado das últimas eleições no país vizinho —, Lula optou por focar sua crítica no método utilizado pelos Estados Unidos.
“Atacar países em violação às normas multilaterais enfraquece a diplomacia e abre caminho para um mundo marcado pela instabilidade e pela imposição da lei do mais forte”, declarou o presidente em suas redes sociais.
Lula cobrou uma postura “vigorosa” da Organização das Nações Unidas (ONU) e reiterou que o Brasil defende a América Latina como uma “zona de paz”.
Reação Política no Brasil
A postura do Planalto já gera fortes reações no cenário político interno. Enquanto a base do governo e partidos de esquerda condenam o que chamam de “imperialismo norte-americano”, lideranças da oposição no Congresso celebraram a queda de Maduro. Para parlamentares da ala bolsonarista, a prisão marca o “fim de uma ditadura” e criticam o posicionamento de Lula, alegando que o presidente brasileiro estaria “protegendo um aliado histórico”.
Próximos Passos
O Itamaraty informou que o Exército Brasileiro já monitora a situação em Caracas e mantém tropas em alerta na fronteira, em Roraima, para evitar possíveis fluxos migratórios desordenados ou incidentes de segurança. Uma nova reunião entre Lula e o ministro Mauro Vieira está prevista para o final da tarde deste sábado para definir se o Brasil oferecerá mediação diplomática ou apoio humanitário.












