A dois dias da rodada direta de negociações entre Ucrânia e Rússia sobre a guerra entre os dois países, o Kremlin não deu certeza sobre a presença ou não do presidente Vladimir Putin no encontro, que ocorrerá na Turquia na quinta-feira (5). Para Zelensky, Putin está “com medo” de o encontrar cara a cara.
Perguntado sobre o assunto, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que Putin anunciará quem participará da rodada de negociações de paz em Istambul, na capital turca, quando achar apropriado. Peskov se recusou a comentar se Putin iria pessoalmente.
Horas depois, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que Putin está “com medo” de o encontrar cara a cara. Zelensky afirmou ser fundamental a presença do presidente russo no encontro na Turquia porque a única forma de garantir um cessar-fogo e o fim da guerra seria por meio de conversas diretas com ele.
“Se ele der o passo de dizer que está pronto para um cessar-fogo, isso abre o caminho para discutir todos os elementos para encerrar a guerra. Nem vou mencionar que ele está com medo de conversas diretas comigo”, disse Zelensky.
Um assessor do Zelensky também afirmou à agência de notícias Reuters nesta terça-feira que o líder ucraniano só participará das negociações se Putin também estiver presente. “O presidente Zelensky não se reunirá com nenhum outro representante russo em Istambul, exceto Putin”, disse à Reuters o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak.
O governo russo não deu uma resposta à declaração de Zelensky até a última atualização desta reportagem.
Putin propôs no domingo conversas diretas com a Ucrânia para tratar do conflito. Zelensky não apenas disse que participaria, mas também que Putin também deveria estar presente pessoalmente. O presidente ucraniano também disse nesta terça que convidou o presidente dos EUA, Donald Trump, para o encontro.
“Se Vladimir Putin se recusar a viajar à Turquia, será o sinal definitivo de que a Rússia não quer acabar com esta guerra, de que a Rússia não quer, nem está preparada, para nenhuma negociação”, afirmou em um comunicado o chefe do gabinete da presidência ucraniana, Andrii Yermak.
Desde que Trump passou a pressionar pelo final da guerra da Ucrânia, tanto a Rússia quanto a Ucrânia têm tentado mostrar que estão trabalhando em direção à paz. No entanto, as movimentações ainda estão confusas e por vezes ficam apenas no âmbito da provocação ao rival.
O vice-ministro das Relações Exteriores russo afirmou nesta terça que a Rússia está pronta para negociações sérias sobre a guerras, mas duvida que a Ucrânia esteja disposta a negociar.
Negociações pelo fim da guerra na Ucrânia
Negociações diretas entre russos e ucranianos não ocorrem desde os primeiros meses da guerra, ainda em 2022. A Turquia, que integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sediou a última reunião direta entre os dois países. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que Istambul “está pronta para sediar negociações que levem a uma solução permanente”.
O presidente russo afirmou que as negociações pelo fim da guerra poderiam ser abertas “sem quaisquer pré-condições” como contraproposta à iniciativa do Reino Unido, Alemanha, Polônia e França de pressionar por uma trégua plena e incondicional de 30 dias a partir de segunda-feira, que não aconteceu. A Rússia afirmou na segunda-feira que não aceitará nenhum “ultimato” sobre cessar-fogo na guerra.
Ao comentar a exigência de Zelensky por um cessar-fogo de 30 dias, Trump disse no domingo que Putin “quer ser encontrar” em Istambul, deixando no ar uma possível ida do russo. O presidente americano, que está viajando pelo Oriente Médio para encontros com líderes do Golfo Pérsico, afirmou na segunda-feira que talvez vá à Turquia para participar pessoalmente do encontro.
A oferta de Putin para novas negociações ocorreu após líderes europeus ameaçarem impor novas sanções à Rússia caso não haja uma trégua de 30 dias na Ucrânia.
Fonte: G1












