Com a indisfarçável e desastrosa colaboração do presidente Donald Trump, incerteza e insegurança marcam a economia da maior parte do mundo, impondo maior cautela aos governos e aos bancos centrais, tornando o crédito mais arriscado e dificultando a produção e o emprego.
Já confrontados com novo aperto monetário imposto há meses pelo Banco Central (BC), governo e empresas são confrontados, no Brasil, com a perspectiva de um arrocho prolongado e sem prazo de encerramento.
Novas decisões dependerão dos indicadores internos de inflação e de atividade e também de fatores externos, “como guerras comerciais e mudanças nas economias desenvolvidas”, avisou o Comitê de Política Monetária do BC (Copom).
O aviso apareceu na terça-feira, 13, em comunicado sobre a decisão de elevar a Selic, a taxa básica de juros, a 14,75% ao ano. Esse é o nível mais alto desde 31 de agosto de 2006, quando começou a valer a taxa de 14,25%. A partir daí os juros diminuíram até 11,25%, em outubro de 2007, e voltaram a aumentar em junho de 2008, quando passaram a 11,75%.
A menção a “guerras comerciais e mudanças nas economias desenvolvidas” vale principalmente para as decisões do presidente Donald Trump e para seus efeitos nas políticas da China e de outras potências.
As incertezas, um tópico central no comunicado, são relativas à política tarifária norte-americana, à resposta dos demais governos, à reação das empresas, “com possíveis impactos em cadeias globais de produção”, e também à ”resposta dos consumidores às mudanças de preços”.
Em viagem pelo mundo árabe, o presidente dos Estados Unidos foi personagem de relevo, nesta terça-feira, na avaliação de riscos globais publicada pelos condutores da política monetária brasileira.
Trump, no entanto, é apenas um colaborador, embora muito importante, da insegurança monetária no Brasil em muitos outros países. O governo brasileiro é capaz de alimentar de forma autônoma esse tipo de insegurança e suas consequências, como o endividamento maior do Tesouro e a inflação elevada.
Um efeito indireto dessa política pode ser a alta de juros, fórmula principal usada pelo BC para limitar os danos e tentar corrigi-los. A nova elevação dos juros básicos, desta vez para 14,75%, é parte da tarefa corretiva do BC.
Desta vez, o BC agiu sem apontar o rumo provável de seus próximos passos. Prometeu vigilância, como sempre, e calibragem do aperto monetário de acordo com as condições da atividade, o balanço de riscos e as expectativas de inflação, mas sem mencionar manutenção ou possível mudança dos juros.
Em outros comunicados, houve referência à evolução esperada, e nem sempre confirmada, para a Selic. A omissão desse detalhe parece combinar com a incerteza ressaltada já no início do texto do BC.
Fonte: Estadão












