O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aprovou, nesta segunda-feira (19), o plano de proteção à fauna apresentado pela Petrobras, como parte do processo de licenciamento ambiental para a perfuração exploratória de petróleo na Foz do Amazonas. A empresa pretende explorar petróleo em uma área localizada a mais de 2 mil quilômetros da costa equatorial brasileira.
Segundo o instituto, o plano atende aos requisitos teóricos e metodológicos exigidos. A próxima fase do projeto de extração de petróleo na região envolve a realização de testes práticos relacionados à fauna local.
Esses testes incluem vistorias e simulações de resgate de animais afetados por óleo, com o objetivo de avaliar, na prática, a capacidade de resposta da Petrobras em casos de acidentes com derramamento de petróleo. O Ibama também será responsável por analisar e validar essa resposta.
Impacto na biodiversidade na Foz do Amazonas
Em entrevista ao Brasil de Fato, em fevereiro, o professor Gustavo Moura, oceanógrafo da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou a divisão existente entre correntes ambientalistas sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Os defensores do projeto acreditam que ele pode servir como fonte de financiamento para a transição energética, enquanto os opositores defendem um modelo de desenvolvimento econômico que respeite a soberania das comunidades tradicionais. Outro grupo considera que os riscos envolvidos são graves demais para permitir a atividade, sendo que as comunidades tradicionais da região, em sua maioria, se posicionam contra a iniciativa.
“Aqui na Amazônia, essa é uma área considerada estratégica para ser protegida, especialmente porque deveria servir como exemplo para o mundo, ainda mais em um ano de COP30. Eu faço parte do grupo que defende mais pesquisas para compreender melhor os impactos na biodiversidade e que considera os riscos apontados pelo Ibama e pela própria Petrobras suficientes para evitar ações desnecessárias”, pondera Moura.
Também em fevereiro, a cientista política Nirvia Ravena, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA, analisou a relação do presidente Lula com as alas mais à esquerda do governo de coalizão, que sempre foi tensa, mas se agravou com a queda de popularidade. Esse contexto se torna ainda mais delicado quando envolve comunidades tradicionais que, de alguma forma, entram em conflito com a agenda desenvolvimentista.
“Observamos um padrão que se repete, em que lideranças de organizações progressistas e de esquerda disseminam desinformação, fortalecendo a ideia de que grandes empreendimentos são inevitáveis, restando às populações tradicionais discutir royalties e mitigação”, argumenta a professora, citando casos recentes como a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, e as obras para a Copa do Mundo de 2014.












