O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.) na reunião desta quarta-feira (7), em decisão unânime. Com o novo ajuste, a taxa básica de juros subiu de 14,25% para 14,75% ao ano.
Dessa vez, o Comitê não forneceu uma orientação para a decisão de junho — um dos pontos mais esperados pelo mercado nos últimos dias.
“Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, disse o comunicado.
“Tal cenário prescreve uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”, acrescentou.
A falta de sinalização já era esperada pela XP. “O Comitê reconhece que estamos em ‘estágio avançado do ciclo de aperto monetário’, que ainda há impactos acumulados a serem observados, e que o ambiente exige ‘cautela adicional’”, afirmou o economista Alexandre Maluf.
Com a falta de clareza do comunicado, o mercado agora se divide entre as apostas de fim aperto monetário já nessa decisão e a chance de uma última alta de 0,25 ponto percentual no atual ciclo de aperto monetário na próxima reunião do Copom em junho.
“O comunicado dá a entender que [o ciclo de altas na Selic] parou (não explícita, mas implicitamente)”, afirmou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “Há a opcionalidade de alta de 25 pontos-base, mas me parece que o plano de voo é parar. Para dar uma alta dessa magnitude, o cenário precisa piorar. O mercado deveria ir para a probabilidade majoritária de manutenção dos juros em junho, e o debate passa a ser quando o BC deve começar a cortar os juros.”












