O dólar à vista tinha leve alta ante o real nas primeiras negociações desta terça-feira, recuperando algumas das perdas da véspera, à medida que os investidores reagiam a um novo alívio tarifário nos Estados Unidos, enquanto aguardavam uma série de dados da maior economia do mundo ao longo da semana.
O relatório JOLTs informou que as vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos caíram de forma acentuada em março, mas um declínio nas demissões sugeriu que o mercado de trabalho permaneceu em uma base sólida, apesar de uma política tarifária em constante mudança estar fomentando incertezas sobre a maior economia do mundo.
As vagas de emprego em aberto, uma medida da demanda de mão de obra, caíram em 288.000, para 7,192 milhões no último dia de março, informou o Departamento do Trabalho em seu relatório Jolts nesta terça-feira.
Na cena doméstica, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, continua no radar. Desta vez, o chefe da autarquia participa de entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), em Brasília, às 11h, ao lado de outros diretores da autoridade monetária.
Por trás dos ganhos ligeiros estava um novo alívio na política comercial dos EUA, com autoridades norte-americanas sinalizando na véspera que o governo reduzirá o impacto das tarifas sobre automóveis ao aliviar as taxas impostas em peças estrangeiras para veículos produzidos em solo norte-americano.
O governo também evitará que as tarifas sobre automóveis estrangeiros se acumulem sobre outras taxas, em um acordo que o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, chamou de “grande vitória” para a política do governo.
Uma vez que as incertezas sobre as tarifas dos EUA têm sido um fator baixista para o dólar, em meio aos receios pelos impactos na maior economia do mundo, a divisa norte-americana se recuperava em alguns mercados pelo mundo, com investidores retomando algumas posições compradas na moeda de reserva global.
“O mercado segue de olho nas notícias dos EUA… o dólar amanheceu com uma posição mais forte em todo o mundo e provavelmente vamos sentir um pouco aqui”, disse Lucélia Freitas, especialista em câmbio da Manchester Investimentos
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22%, a 99,256.
Por outro lado, ainda havia um certo sentimento de cautela nos mercados, controlando os movimentos cambiais, já que os agentes financeiros aguardam a publicação de uma série de dados importantes ao longo da semana que podem influenciar as negociações.
O destaque será a divulgação do relatório mensal de emprego dos EUA na sexta-feira, com expectativa de desaceleração na abertura de postos de trabalho. Também estarão no radar números de inflação e de Produto Interno Bruto (PIB), ambos na quarta-feira.
Investidores e analistas buscarão por indícios de efeitos iniciais da política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a economia norte-americana.
Também permanece incerteza sobre a guerra comercial entre EUA e China, à medida que os dois países seguem fornecendo visões diferentes sobre a situação das tensões comerciais entre ambos.
Na cena doméstica, o mercado avaliará mais comentários do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que participará de entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira às 11h.
No relatório divulgado mais cedo, a autarquia afirmou que as instituições financeiras indicaram mais cautela no apetite ao risco em 2025, em um ambiente em que riscos fiscais ganharam mais relevância e de percepção de piora no ciclo econômico e financeiro.
Na segunda-feira, o dólar à vista fechou em baixa de 0,73%, a R$5,6485, recuando pela sétima sessão consecutiva. No ano, a divisa dos EUA acumula queda de 8,61% frente ao real.












