Instituição alerta para impacto de tensões comerciais e condições financeiras adversas, especialmente nas economias emergentes.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta semana que, embora o cenário econômico mundial esteja sob pressão, não há expectativa de recessão global em 2025. No entanto, a instituição revisará para baixo suas estimativas de crescimento econômico, considerando os efeitos negativos da intensificação de barreiras comerciais e o aperto nas condições financeiras internacionais.
A declaração foi feita durante um pronunciamento oficial em Washington, no contexto das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial. Georgieva ressaltou que a economia global tem demonstrado resiliência, mas enfrenta desafios persistentes, como conflitos geopolíticos, inflação resistente e desaceleração do comércio internacional.
📉 Crescimento mais lento e incertezas prolongadas
Segundo a chefe do FMI, o novo relatório “Perspectiva Econômica Mundial”, que será divulgado nos próximos dias, apresentará projeções mais modestas para o crescimento global em 2025. A estimativa anterior, de 3,1%, deverá ser revista para algo próximo de 2,8%.
Georgieva destacou que os recentes aumentos de tarifas promovidos por grandes economias, como os Estados Unidos, comprometem o desempenho de cadeias globais de produção, penalizam consumidores e reduzem a competitividade internacional. Além disso, a elevação dos juros em países desenvolvidos encarece o crédito e pressiona os países em desenvolvimento.
“A fragmentação econômica e o protecionismo em expansão reduzem a produtividade e a inovação global”, afirmou.
🌎 Impacto sobre países emergentes
As condições financeiras mais restritivas, associadas à diminuição do fluxo de capitais internacionais, estão afetando diretamente as economias emergentes e em desenvolvimento. Segundo o FMI, muitos desses países enfrentam dificuldades para acessar crédito externo e estão vulneráveis a choques cambiais, aumento da dívida e retração nos investimentos.
Georgieva também chamou a atenção para a redução da ajuda internacional e das transferências voluntárias a países em situação de vulnerabilidade, o que agrava desigualdades e limita perspectivas de crescimento sustentável.
🧭 Agenda de reformas e cooperação internacional
O FMI defendeu a necessidade de políticas coordenadas entre os países-membros para lidar com os desafios globais. Entre as recomendações estão a manutenção de políticas fiscais responsáveis, avanço de reformas estruturais para aumentar a produtividade e fortalecimento da cooperação multilateral em áreas como tecnologia, clima e comércio.
“A recuperação global depende de decisões estratégicas e de uma agenda de crescimento inclusivo e sustentável”, concluiu Georgieva.
Por: Redação Mexeu no Bolso












