O dólar ultrapassou o nível de R$ 5,98, enquanto investidores avaliavam a possibilidade de as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, serem negociadas com os países afetados. No início da tarde, a moeda norte-americana chegou a ser cotada em R$ 5,9956 (+1,44%), aproximando-se novamente dos R$ 6,00.
A política comercial dos EUA permanece no centro das atenções dos mercados desde que Trump anunciou, na semana passada, a imposição de uma tarifa mínima de 10% sobre todas as importações para o país, que entrou em vigor no sábado. Além disso, taxas “recíprocas” mais altas para alguns parceiros comerciais estão programadas para serem implementadas na quarta-feira.
Por três sessões consecutivas, os investidores demonstraram forte aversão ao risco, preocupados com a possibilidade de as medidas comerciais desencadearem uma guerra comercial ampla, o que poderia acelerar a inflação global e provocar recessão econômica em diversos países. Contudo, nesta terça-feira, houve certo alívio entre os agentes financeiros, já que notícias indicavam que alguns países estavam dispostos a negociar as tarifas com os EUA, evitando novas escaladas nas tensões comerciais.
O Japão foi destaque, após Trump anunciar na segunda-feira que enviaria uma equipe para discutir as relações comerciais. O país asiático informou nesta terça-feira que seu ministro da Economia, Ryosei Akazawa, liderará as negociações pelo lado japonês.
Cotação do dólar hoje
Às 12h14, o dólar à vista registrava alta de 0,96%, sendo negociado a R$ 5,967 na compra e R$ 5,968 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro com primeiro vencimento subia 0,55%, alcançando 5.967 pontos. Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou com alta de 1,24%, a R$ 5,9107, o maior valor de fechamento desde 28 de fevereiro.
O Banco Central anunciou que realizará um leilão de até 20.000 contratos de swap cambial tradicional para rolar o vencimento de 2 de maio de 2025.
Cotação do dólar turismo
- Compra: R$ 6,006
- Venda: R$ 6,186
Movimento do dólar hoje
No início da sessão, o maior apetite por risco no exterior beneficiou moedas de países emergentes, incluindo o real. Às 9h09, o dólar atingiu a cotação mínima do dia frente ao real, sendo negociado a R$ 5,8607 (-0,85%), devolvendo parte dos ganhos recentes. Entretanto, o bom momento durou pouco, e o dólar voltou a se fortalecer ao longo da manhã frente ao real, ao peso colombiano (COP=) e ao peso chileno (CLP=).
Analistas consultados pela Reuters afirmaram que não há um fator específico por trás da recuperação do dólar frente às moedas emergentes. Eles destacaram que o otimismo inicial parecia exagerado, considerando que ainda não há previsão concreta para negociações entre os EUA e seus parceiros comerciais.
“Honestamente, acredito que essas conversas estão em um estágio muito inicial para gerar resultados no curto prazo. Não antevejo avanços significativos nessas negociações. Os fundamentos por trás do otimismo de hoje parecem frágeis e suscetíveis a reversões”, disse Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex.
O otimismo nos mercados também foi moderado pela cautela após Trump intensificar as tensões com a China na segunda-feira, ameaçando aplicar tarifas adicionais caso Pequim não abandone medidas retaliatórias contra os EUA.
No cenário doméstico, dados do Banco Central revelaram que a dívida bruta do Brasil aumentou em fevereiro, enquanto o setor público consolidado apresentou um déficit primário bem menor do que o esperado.












