As empresas brasileiras, especialmente aquelas com alta exposição ao câmbio e dívidas atreladas a taxas de juros, estão sob pressão desde que o real perdeu 24% de seu valor frente ao dólar e as taxas de juros de dez anos subiram mais de quatro pontos percentuais, conforme análise do Goldman Sachs.
Embora as considerações para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ainda não tenham sido revisadas para baixo, os reflexos das condições econômicas adversárias já afetaram o desempenho de diversas empresas, que têm enfrentado ajustes no mercado. Setores como serviços públicos (energia e saneamento), infraestrutura, companhias aéreas e locadoras de veículos estão entre os mais impactados, devido ao aumento dos custos decorrente da desvalorização do real e da elevação dos juros.
Empresas de energia, como Energisa (ENGI11) e Equatorial (EQTL3), têm alguma facilidade para repassar custos por meio de tarifas reguladas, mas essa capacidade é limitada. No setor de transportes, as companhias aéreas como a Azul (AZUL4) precisam aumentar as tarifas em cerca de 3% para compensar uma desvalorização de 10% do real, o que é dificultado por passagens já vendidas anteriormente. Locadoras de veículos, como Localiza (RENT3), enfrentam desafios semelhantes, podendo ajustar preços, mas com impactos sem crescimento.
Segundo os analistas, a demanda por serviços essenciais, como energia, tende a ser menos sensível às variações do PIB. Empresas como a Rumo (RAIL3) se beneficiam de menor exposição ao custo do diesel, enquanto rodovias pedagógicas são mais afetadas pela atividade econômica, com tráfego de veículos geralmente crescendo acima do PIB.
Nos últimos três meses, as ações de serviços públicos caíram 13%, em comparação com uma queda de 8% no Ibovespa, refletindo a penalização de empresas mais vulneráveis ao câmbio e à inflação. O Goldman Sachs destacou uma resposta do mercado, com maior cautela em relação às empresas com divisão elevada e exposição cambial.
Re Setoriais
Óleo e Gás
- Petrobras : As previsões de Ebitda para até 2026 foram reduzidas, com preços-alvo ajustados para R$ 48,30 (PETR3) e R$ 43,90 (PETR4), uma queda de 3%.
- PRIO : Revisão positiva no Ebitda de 2024 (+1%), mas WACC elevado para 15,5%, redução do preço-alvo para R$ 60,30.
- PetroReconcavo : Ebitda de 2024 caiu 1%, com WACC ajustado para 17,2%, e preço-alvo reduzido para R$ 23,80.
- Brava Energia : Preço-alvo revisado para R$ 27,40, ante R$ 29,20.
Energia Elétrica
- Sabesp : Lucro líquido revisado para baixo, com preço-alvo ajustado para R$ 114,50.
- Eletrobras : Redução nas concentrações de lucro líquido, com preços-alvo de R$ 48 (ELET3) e R$ 53 (ELET6).
- Equatorial : Preço-alvo ligeiramente reduzido para R$ 40,50.
- Energisa : Revisões no preço-alvo para R$ 56,80, ante R$ 59.
- Cemig : Preço-alvo ajustado para R$ 8,90, de R$ 9,30.
Logística e Transporte
- Localiza : Preço-alvo revisado para R$ 46,20, redução de R$ 7,20.
- CCR : Revisões positivas no Ebitda e preço-alvo aumentaram para R$ 12,30.
- Ecorodovias : Preço-alvo ajustado para R$ 6,00, ante R$ 5,90.
O cenário reflete os ajustes do mercado às condições econômicas, destacando a seletividade dos investidores em relação a setores e empresas mais resilientes.












