O dólar operou em queda frente ao real nesta terça-feira (10), recuperando parte das perdas das últimas sessões. O movimento refletia o otimismo do mercado com o andamento do pacote fiscal do governo no Congresso, enquanto os investidores avaliavam os dados do IPCA de novembro, que vieram próximos ao esperado.
Por volta das 14h46, o dólar à vista recuava 0,34%, cotado a R$ 6,072 na venda. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou alta de 0,57%, alcançando 127.910,57 pontos.
O mercado reagiu às notícias da noite anterior (9), que aliviaram as preocupações de que as medidas de contenção de gastos do governo poderiam enfrentar atrasos no Congresso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Arthur Lira, presidente da Câmara, e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, buscando resolver o impasse sobre o repasse de emendas parlamentares.
Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs condições para o pagamento das emendas, desagradou parlamentares e ameaçava a tramitação do pacote fiscal. Essa incerteza impactou as qualidades do mercado na segunda-feira, quando o dólar à vista encerrou com alta de 0,09%, a R$ 6,08225, marcando o maior fechamento nominal da história, apesar do desempenho positivo de moedas emergentes no exterior.
Entretanto, de acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as negociações planejadas por Lula ajudaram a avançar na resolução do impasse. “A questão fiscal agora é um problema político… Arthur Lira parece disposto a destravar o pacote fiscal, mas quer que o governo resolva a questão das emendas”, comentou Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.
No mercado de juros, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) recuavam, devolvendo os ganhos expressivos da véspera, em meio ao maior otimismo com o andamento das medidas fiscais.
Inflação e decisão do Copom
No campo dos dados econômicos, o IBGE divulgou que o IPCA registrou alta de 0,39% em novembro na comparação mensal, desacelerando frente ao aumento de 0,56% em outubro. O número ficou próximo da projeção de economistas consultados pela Reuters, que esperava um avanço de 0,37%. Em 12 meses, o índice acumulou alto de 4,87%, acima dos 4,76% registrados no mês anterior.
Pelo segundo mês consecutivo, o IPCA ultrapassou o teto da meta de inflação do Banco Central, que possui centro em 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Apesar de em linha com as expectativas, o resultado reforça as preocupações sobre o cenário inflacionário no país, agravado pela desancoragem das expectativas do mercado.
Com isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá adotar uma postura mais rígida em sua reunião final do ano, que ocorre nesta quarta-feira (11). “O IPCA e sua composição particularmente desfavorável devem fortalecer as expectativas de um ajuste mais agressivo pelo Copom”, afirmou Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
O mercado aponta 76% de chance de elevação de 1 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 11,25%, contra 24% de probabilidade de alta de 0,75 ponto.
Contexto internacional
No cenário externo, os investidores mostraram cautela, aguardando os dados de inflação dos Estados Unidos, que serão divulgados nesta quarta-feira (11). Esses números poderão trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve.












