Após confirmar para março de 2025, na fábrica em construção em Camaçari (BA), a montagem do SUV médio Song Pro com motorização híbrida flex plug-in e do Dolphin Mini, o primeiro carro elétrico a ser feito em série no Brasil, a BYD se prepara para um futuro próximo no qual terá o complexo baiano operando em capacidade plena, com 12 produtos diferentes em linha, sendo dois deles desenvolvidos especificamente para o Brasil.
A informação foi confirmada por Stella Li, CEO da BYD nas Américas e recém-nomeada presidente da empresa também na Europa. Em entrevista exclusiva a Autoesporte e ao Valor Econômico, Li afirmou que esses dois novos modelos desenvolvidos especialmente para o Brasil serão lançados entre o final de 2025 e começo de 2026.
“Sim! [Teremos produtos da BYD desenvolvidos especificamente para o mercado brasileiro]”, confirmou a executiva. “Por volta do final de 2025 e começo de 2026, vamos introduzir dois modelos especialmente desenvolvidos para o Brasil e países da América Latina, em segmentos que não existem na China”, acrescentou.
Questionada sobre quais seriam esses produtos, ou pelo menos em quais segmentos atuariam, Stella Li preferiu manter segredo. “Vamos compartilhar com vocês [que modelos serão esses] posteriormente, quando for o momento certo”, resumiu.
um desses projetos é uma picape compacta, apelidada de “baby Shark”, para concorrer com a Fiat Strada, conforme contamos no final de novembro. A própria Shark, enfatizou Li, foi um produto desenvolvido para a América Latina. “A picape [Shark] já é pensada para vocês, pois não vendemos picapes na China”, disse.
O segundo BYD desenvolvido especialmente para o Brasil ainda é um mistério, mas, a julgar pelos (muitos) msegmentos nos quais a marca já atua no país, poderíamos estar falando de uma terceira caminhonete, no caso uma picape intermediária, posicionada entre a própria Shark e a futura concorrente da Strada, para competir com Fiat Toro, Renault Niagara e a vindoura Volkswagen Udara.
Ou, ainda, poderia ser um SUV de entrada aos moldes de Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera. Seja como for, a CEO da BYD nas Américas e Europa foi enfática ao informar que os produtos da marca terão sempre motorização híbrida plug-in (PHEV) ou elétrica a bateria (BEV), sem chances de uma simplificação para um sistema híbrido pleno (HEV), como o de Toyota Corolla e Corolla Cross, ou híbrido leve (MHEV), como o dos novos Fiat Pulse e Fastback T200 Hybrid.
Fábrica avança em meio a inquérito
Na entrevista, Stella Li ratificou a previsão de gerar um total de 20 mil empregos no complexo de Camaçari até o final de 2026. Desse total, 2 mil serão criados em janeiro de 2025, para a finalização da fábrica de Camaçari; outros 3 mil em maio, no início da montagem em SKD de Song Pro e Dolphin Mini; outros 5 mil em agosto, quando a empresa planeja debutar de fato na indústria local com uma produção mais nacionalizada, incluindo processos como solda e pintura realizados aqui.
“Vamos começar com dois ou três [carros] e ir aumentando o ritmo [de produção] até chegar à capacidade de 150 mil carros em dois ou três anos; depois, vamos dobrar [a capacidade] para 300 mil carros. Teremos uma fábrica mais flexível possível, podendo produzir até 12 modelos diferentes na mesma linha”, prometeu a CEO regional. “[Também vamos investir em um centro local [de pesquisa e desenvolvimento] que terá pelo menos 2 mil pessoas [trabalhando]”, seguiu.
Contudo, o foco do complexo de Camaçari será abastecer apenas o mercado brasileiro e sul-americano, segundo a executiva. Isso porque a BYD também planeja construir uma planta no México para abastecer a América Central e, eventualmente, os Estados Unidos.












