A Viveo reportou resultados negativos no 3T24, com um prejuízo líquido ajustado de R$ 56 milhões. A receita aumentou 3,8%, com a vertical de Laboratórios e Vacinas (L&V) sendo a única a apresentar um crescimento vigoroso. A margem EBITDA ajustada diminuiu 3,8 p.p., devido a uma dinâmica de mercado mais difícil, mix e maiores despesas de marketing e logística. O lucro líquido foi impactado pela alavancagem financeira líquida – 5,1x EBITDA ajustado 12m. Por fim, observamos que a empresa antecipou de recebíveis para levantar caixa.
A receita aumentou 3,8% A/A, principalmente por conta da vertical de Laboratórios e Vacinas, graças a novos produtos como Qdenga e Abrysvo. As verticais de Hospitais e Clínicas (H&C) e Varejo apresentaram um leve crescimento, enquanto os serviços perderam 13% das receitas em uma base anual.
Mix prejudicando as margens
A margem bruta diminuiu 1,7 p.p. A/A, para 13,3%, devido à dinâmica mais difícil do mercado e a uma maior participação de medicamentos de alto custo (que geram margens mais baixas) na vertical de H&C.
Grandes despesas não recorrentes
As despesas-caixa, excluindo itens não recorrentes, foram de 8,7% da receita, um aumento de 2,2 p.p. A/A, graças a um aumento nas despesas relacionadas a marketing e logística, que a empresa está se esforçando para reduzir. As despesas não recorrentes totalizaram R$ 245 milhões no trimestre, o que equivale a 8,3% da receita e se refere principalmente a baixas nas contas de estoque e contas a receber, bem como despesas associadas a reestruturação e consultoria.
As despesas financeiras continuam corroendo os lucros
O lucro líquido ajustado, de R$ 56 milhões negativos, foi impactado por despesas financeiras líquidas ajustadas de R$ 135 milhões. O prejuízo líquido GAAP foi de preocupantes R$ 237 milhões.
Alavancagem em uma tendência de alta
A alavancagem (considerando arrendamentos, obrigações de M&A e financiamento de fornecedores) foi de 5,1x EBITDA ajustado 12m (vs. 4,8x no 2T24). Esse valor foi impactado por (i) uma leve redução T/T na dívida líquida – Figura 01; e (ii) uma diminuição no EBITDA ajustado 12m.
Ciclo de caixa melhorando (artificialmente)
O fluxo de caixa operacional após o Capex foi de R$ 507 milhões, auxiliado pela cessão de recebíveis de R$ 475 milhões, especialmente em função de uma variação negativa de R$ 251 milhões no capital de giro. O ciclo de caixa foi reduzido em 19 dias T/T, com uma redução de 15 dias nas contas a receber, uma redução de 2 dias nas contas a pagar e uma redução de 6 dias nos estoques. A cessão de recebíveis foi equivalente a 14 dias de receita no trimestre, mas observamos que a empresa já estava usando essas transações no trimestre anterior, embora em menor grau.
Fonte: XP investimentos












