Imagine passar um ano sem geladeira, fogão, luzes, micro-ondas ou televisão? Foi o que fez Joshua Spodek, que, em maio de 2022, desconectou seu apartamento em Greenwich Village, Nova York, da rede elétrica. Mais de dois anos depois, ele segue vivendo dessa forma e acaba de lançar um livro que propõe ser um guia para “resolver todos os problemas ambientais”.
A ideia de viver fora da rede não é nova, mas praticar em um apartamento de Nova York é um desafio único. Spodek, de 53 anos, ex-professor de liderança na Universidade de Nova York, é facilmente identificado no bairro. Frequentemente, ele leva seus quatro painéis solares para carregar no Washington Square Park. Quase todos os dias nos últimos 30 meses, ele carregou os painéis e uma bateria de oito quilos para o telhado de seu prédio, subindo 11 andares a pé, já que usar o elevador significaria consumir eletricidade.
A vida de Spodek já teve muitas facetas: de empresário, educador e maratonista. Desde 2015, ele vem adotando práticas sustentáveis: deixou de comprar alimentos embalados e de viajar de avião, e até coletar lixo no parque diariamente. Com essas mudanças, ele praticamente eliminou o lixo doméstico e a necessidade de esvaziar sua lixeira.
Porém, essa escolha de vida traz desafios, como dificuldades para se socializar. Ele decidiu abrir a mão de namorar e, durante o inverno rigorosamente, com poucos dias ocultos, precisou restringir sua dieta e limitar a comunicação, aproveitando o tempo para meditar e ler mais.
Muitas pessoas do movimento criticam o foco no consumo individual, argumentando que é preciso mais ação coletiva para enfrentar as mudanças climáticas. Spodek confirmar que seu estilo de vida tem um impacto pequeno no cenário global, mas acredita que pequenos gestos podem gerar um efeito dominador. Ele promove oficinas, incentivando as pessoas a adotar hábitos virtuais sustentáveis e ver esses gestos como melhorias, não sacrifícios.
A abordagem de Spodek, ao inspirar outras mudanças a fazer, pode não resolver todos os problemas ambientais, mas buscar criar uma mentalidade mais consciente e coletiva. “A mudança cultural precisa começar em algum lugar”, diz ele. “Por que não comigo?”












