As empresas líderes do transporte marítimo estão cada vez mais ampliando suas operações além do transporte oceânico, avançando para o setor de logística terrestre. Esse movimento é uma resposta às transformações nas cadeias de fornecedores globais, impulsionadas pela rápida internacionalização de fabricantes chineses.
No final do último mês, a suíça MSC Mediterranean Shipping anunciou a compra de uma participação majoritária na operadora brasileira de logística portuária Wilson Sons, em um acordo de R$ 4,35 bilhões. Apenas algumas semanas antes, uma subsidiária da MSC havia adquirido o British Maritime Group, especializado em logística ferroviária e rodoviária. Originalmente, a MSC focava na expansão agressiva de sua frota marítima, estratégia que se posicionou como a maior empresa de transporte de contêineres do mundo em 2022, ultrapassando a dinamarquesa Maersk.
A MSC agora segue o caminho de outras gigantes do setor, como a própria Maersk, buscando um papel mais amplo no gerenciamento da cadeia logística global. Em uma ação semelhante, a francesa CMA CGM comprou a Bolloré Logistics por 4,85 bilhões de euros (R$ 30,1 bilhões) no início deste ano, enquanto a estatal chinesa COSCO Shipping Corp. Sul, Europa e Sudeste Asiático.
Uma das principais motivações para essa estratégia é o movimento de fabricantes chineses em transferir suas cadeias de suprimentos para fora da China, com o objetivo de mitigar danos causados por danos comerciais com o Ocidente e pela pandemia de Covid-19. Com isso, a demanda por soluções de transporte cresceu consideravelmente, segundo representantes da CMA CGM e da Maersk.
Além disso, as cadeias de suprimentos ainda enfrentam desafios devido à crise no Mar Vermelho, o que obriga os navios vindos da Ásia para a Europa a desviarem pelo Cabo da Boa Esperança, prolongando rotas e custos. Silvia Ding, presidente da Maersk na Grande China, projeta um futuro com cadeias de suprimentos globais cada vez mais complexas e voláteis, gerando demanda por soluções logísticas integradas.
A tendência de diversificação das cadeias de suprimentos cria novas oportunidades para operadoras como a CEVA, braço logístico da CMA CGM, especialmente em mercados emergentes no Oriente Médio, África e Índia. Em pesquisa recente, Ding constatou que grandes empresas chinesas estão realocando parte de suas operações para o Sudeste Asiático e investindo em novas fábricas na Europa e no México, superando as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos fabricados na China.
Além das negociações comerciais, o aumento dos custos de produção e mão de obra na China tem incentivado a transferência de transações para regiões como o Sudeste Asiático e a Índia. Com isso, as gigantes de transporte e logística buscam atender essas novas dinâmicas e fortalecer sua presença global.












