O escritório da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), localizado no campo de refugiados de Nur Shams, na Cisjordânia, foi gravemente danificado por escavadeiras israelenses, conforme afirmou Philippe Lazzarini, chefe da UNRWA. Segundo Lazzarini, a estrutura foi comprometida a ponto de não poder mais ser utilizada.
Em resposta, o setor militar de Israel emitiu um comunicado contestando a versão da agência. “A acusação de que o escritório da UNRWA em Nur Shams foi destruído por soldados das IDF (Forças de Defesa de Israel) é falsa”, declarou uma nota oficial. O Exército explicou que “terroristas plantaram explosivos nas proximidades do escritório da UNRWA, e eles foram detonados em uma tentativa de atacar soldados das IDF, ou que provavelmente causaram danos à estrutura”.
O incidente ocorre em meio a intensificações na região e logo após a aprovação, na segunda-feira, de uma nova legislação pelo Parlamento de Israel que proíbe a operação da UNRWA no país. Esta decisão pode ter implicações significativas para as atividades da agência na Faixa de Gaza, um território delimitado por conflitos e dificuldades humanitárias. Parlamentares israelenses justificaram a medida com base em acusações de que funcionários da UNRWA estariam envolvidos no ataque ocorrido em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que provocou confrontos violentos e aumento de hostilidades.
Lazzarini condenou a decisão legislativa, classificando-a como um “precedente perigoso” que contraria a Carta das Nações Unidas e viola as obrigações de Israel sob o direito internacional humanitário. Ele destacou a importância da UNRWA em fornecer assistência vital a milhões de refugiados palestinos em áreas de conflito. Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a posição de seu governo, afirmando que qualquer funcionário da UNRWA “envolvido em atividades terroristas” deve ser responsabilizado.
Esse debate ressalta a crescente complexidade da situação política e humanitária na região, aumentando as preocupações da comunidade internacional sobre a estabilidade e o bem-estar da população civil palestina. Especialistas apontam que a restrição ao funcionamento da UNRWA pode agravar a crise humanitária e dificultar os esforços de ajuda e proteção em territórios ocupados.












