Pelo menos por ora e após parar de criticar o Banco Central, e após fala do Lula de forma mais clara e incisiva em favor do arcabouço fiscal, o Ibovespa chegou a disparar mais de 1%, antes de se acomodar e fechar em mais 0,40%, aos 126.163,98 pontos, ganho de 502 pontos. O volume, porém, foi baixo, com o feriado nos EUA. O impacto no dólar comercial tem sido mais forte. A moeda caiu 1,46%, a R$ 5,48, após ter caído ontem 1,71%. Os DIs (juros futuros) também recuaram.
O bom humor (ou “alívio”, como preferir) começou ontem, com rumores confirmados à noite de que o governo federal iria conter gastos na ordem de quase R$ 26 bi. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, então, que o presidente Lula determinou o cumprimento do arcabouço fiscal “a todo custo” e autorizou a equipe econômica a cortar R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias identificadas em algumas pastas − movimento que tem sido referido em Brasília como “pente-fino” sobre possíveis distorções em benefícios sociais.
Haddad argumentou, ainda, que o novo arcabouço fiscal se conjuga com outras normas, como a Lei de Reponsabilidade Fiscal (LRF), e deve ser seguido na garantia da higidez das contas públicas. “São leis que regulam as finanças públicas do Brasil e elas serão cumpridas em 2024, 2025, 2026. É um compromisso nosso e de cumprimento das leis complementares de finanças públicas”, afirmou.
A equipe econômica analisa opções para diminuir as despesas e um dos caminhos é desvincular a nova regra de reajuste do salário mínimo da correção dos valores repassados a título de benefícios previdenciários. A medida, ainda em discussão em nível técnico, seria uma das alternativas para reduzir o volume de despesas orçamentárias na busca pelo equilíbrio das contas públicas. “Antes das eleições, é muito difícil mexer em programas populares e é muito difícil mexer em despesas − quase todas têm algum impacto para algum lado em termos de voto. O que precisa é ter uma estratégia”, afirmou uma fonte da equipe econômica.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, reforçou o coro: “eu queria destacar duas coisas: primeiro, déficit zero, cumprimento do arcabouço fiscal. Segundo, resolver o problema do déficit não aumentando carga tributária, mas reduzindo despesa, melhorando a eficiência do gasto público”.
A equipe de estratégia do JPMorgan aponta que, pela primeira vez desde maio, a maré do mercado brasileiro parece estar perto de mudar: os preços atingiram o território de overshooting (desvalorização descolada dos fundamentos da economia, especialmente com relação ao real), há alguma distensão (ou seja, diminuição de tensão) na narrativa e o apetite pelo risco está ressurgindo das profundezas com a possibilidade crescente de um corte de juros pelo Federal Reserve em setembro. A mudança em questão também contempla, segundo o banco, que o Executivo atue em uníssono para se comprometer com as metas fiscais e fazer algo a respeito, ou, pelo menos, ganhar tempo. “Neste momento, pensamos que há bom potencial no mercado nos próximos meses, especialmente se a desinflação continuar nos EUA”, avalia a equipe.












