O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse acreditar que existe um sentimento e um desejo da China e dos Estados Unidos de sentar para negociar tarifas, mas ponderou que a desescalada das tensões comerciais não tende a ser “um passeio no parque”.
A análise, então, é de que a desescalada das medidas comerciais não será feita de maneira suave. Para ele, aliás, ainda haverá algum tipo de avanço nos bloqueios. As declarações foram feitas no J. Safra Macro Day 2025, em São Paulo, nesta segunda-feira, 28.
Galípolo mencionou que o sentimento da comunidade financeira internacional é de empoderar o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, como um interlocutor privilegiado. Isso porque, na tese do presidente do BC, o mercado de títulos americano ofereceu uma dinâmica que provocou um receio em Bessent e foi ele quem conseguiu sensibilizar o presidente Donald Trump para rever a política tarifária.
O cenário atual, portanto, é de que os EUA estão tentando costurar alguns acordos. “Pelo que o próprio Scott Bessent falou hoje (segunda-feira, 28) de manhã de novo, reafirmou, parece que esses acordos estão caminhando de maneira mais rápida na Ásia, com parceiros asiáticos”, disse o presidente do BC brasileiro, ponderando, contudo, que a China pode eventualmente elevar a tensão comercial.
O cenário atual, portanto, é de que os EUA estão tentando costurar alguns acordos. “Pelo que o próprio Scott Bessent falou hoje (segunda-feira, 28) de manhã de novo, reafirmou, parece que esses acordos estão caminhando de maneira mais rápida na Ásia, com parceiros asiáticos”, disse o presidente do BC brasileiro, ponderando, contudo, que a China pode eventualmente elevar a tensão comercial.
Impacto temporário
O presidente do BC afirmou que, aparentemente, a leitura do mercado é de que o efeito das tarifas — ainda que não se saiba quais serão as tarifas finais — seria de maior inflação neste momento, e não necessariamente de maneira perene.
A análise observa que as expectativas de inflação em 2025 estão um pouco mais elevadas com o impacto das tarifas, mas destaca que, para 2026, 2027 e períodos mais longos, a expectativa de inflação permanece sem grandes alterações e “devidamente ancorada”.
Desta maneira, o presidente do BC considera que o peso do cenário em que as tarifas deslocariam a curva de oferta perdeu peso. “Hoje, expectativas lá fora indicam impacto mais temporário das tarifas”, afirma.
Para Galípolo, o efeito mais perene da política tarifária é “justamente um sentimento de quebra de confiança ou de elevação da incerteza, que parece sugerir pensamentos e buscas de alternativas de proteção que até pouco tempo atrás fariam pouco sentido, inclusive para aliados e parceiros históricos por parte dos Estados Unidos”.
Nesse contexto, Galípolo entende que tende a ser mais perene a situação em que aliados históricos dos EUA buscarão ativos mais líquidos para usar como defesa, num cenário de aversão a risco com eventual escalada tarifária. Ele diz ainda que é “curioso” assistir a uma preocupação de agentes que estão no mercado norte-americano com a volatilidade dos yields dos Treasuries, e com o comportamento do câmbio.
O presidente do BC ressalta, contudo, que o mercado ainda precisa entender dois pontos. O primeiro, se os impactos contratados da incerteza gerada por conta das tarifas provocam alguma desaceleração econômica. O segundo, entender o impacto das tarifas e os resultados nas economias.
Brasil tem vantagens
Para Galípolo, o Brasil tem vantagens no cenário internacional atual, tanto por poder ganhar espaço via exportação de commodities quanto por ter uma economia doméstica com resiliência e dinamismo maior.
Segundo ele, o Brasil conta com segurança alimentar e energética, volumes robustos de reservas internacionais e uma exposição menor de hedge em dólar.
Em contrapartida, atualmente a trajetória da dívida pelo Produto Interno Bruto (PIB) de vários países é desconfortável, segundo o presidente do BC.












