Após denúncias de trabalho análogo à escravidão e péssimas condições de higiene para funcionários nas obras da fábrica de Camaçari (BA), a BYD divulgou nesta quinta-feira (15) imagens que mostram melhorias nas instalações para os empregados.
Segundo a BYD, agora, o refeitório dos funcionários chineses que trabalham no local é o mesmo dos demais funcionários brasileiros. Antes, os empregados eram obrigados a pegar o alimento direto de baldes ou caixas térmicas usadas para gelar bebidas, conforme as imagens reveladas pela Agência Pública.
Além das fotos das instalações ajustadas, a fabricante ainda divulgou um comunicado no qual detalha as ações tomadas para que o embargo parcial nas obras seja suspenso. Os empregados, que antes moravam em alojamentos insalubres, foram alocados em hoteis da região até que as novas moradias sejam providenciadas.
Imagens mostram os quartos dos alojamentos com ar-condicionado e TV. A BYD promete que serão disponibilizados 1,3 mil quartos, que poderão acomodar até 2,2 mil trabalhadores.
De acordo com a BYD, além das adequações no ambiente de trabalho, realizados por uma construtora brasileira, foi criado um comitê de compliance para acompanhar as obras. O grupo é formado por um consultor independente, além de representantes da BYD, escritórios de advocacia e especialistas em segurança do trabalho e direito trabalhista.
De acordo com a BYD, além das adequações no ambiente de trabalho, realizados por uma construtora brasileira, foi criado um comitê de compliance para acompanhar as obras. O grupo é formado por um consultor independente, além de representantes da BYD, escritórios de advocacia e especialistas em segurança do trabalho e direito trabalhista.
Entenda o caso
Em novembro, a Agência Pública denunciou que mais de 400 trabalhadores chineses de uma empreiteira contratada pela BYD estariam sofrendo maus-tratos nas obras da fábrica, com instalações inadequadas e sem higiene, além de sofrerem supostas agressões.
Após a denúncia, o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu inquérito para investigar condições degradantes de trabalho no local. O órgão encontrou irregularidades como camas sem colchões ou com revestimentos inadequados, falta de armários e banheiros insuficientes e precários, e, por isso, suspendeu parte das obras.
Na ocasião, a BYD, admitiu que houve incidentes de violência dentro de suas premissas. Cerca de um mês depois, a chinesa Jinjiang Construction Brazil Ltda, empreiteira que empregava os trabalhadores, teve o contrato rescindido pela fabricante.
Isso aconteceu logo após uma força-tarefa composta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), além do Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF), resgatar 163 funcionários da Jinjiang flagrados em condições análogas à escravidão nas obras do complexo.
Como será a fábrica da BYD no Brasil
Antes mesmo de ser inaugurada, a fábrica de Camaçari (BA) viveu uma outra novela. Entre 2022 e 2023, as negociações entre BYD e Ford se arrastaram. A conclusão do negócio, anunciada em agosto de 2023, só foi possível após a mediação do governo baiano, que recebeu de volta o local da Ford e, só então, repassou à BYD.
Os chineses prometeram investir R$ 5,5 bilhões no Brasil. Inicialmente, serão feitos no local os modelos Song Pro com conjunto híbrido flex e Dolphin Mini.












