No encerramento de 2024, o dólar superou a barreira psicológica dos R$ 6 e, desde então, tem renovado recordes nominais, mantendo-se distante da casa dos R$ 5. O câmbio atual está 26% acima da média histórica do dólar em relação ao real, configurando um desvio expressivo em comparação com outras economias emergentes.
Motivos para a alta do dólar
Especialistas apontam as contas públicas do governo brasileiro e o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos como os principais fatores por trás dessa disparada. Segundo análise do InfoMoney, o cenário torna-se uma valorização significativa do real, mesmo para patamares próximos a R$ 5,90.
Rodolfo Margato e Luíza Pineze, economistas da XP, destacam que a política fiscal do governo federal é fonte de preocupação para agentes financeiros. A frustração com o pacote de cortes de gastos anunciado recentemente não oferece sinais claros de estabilização da dívida pública no prazo médio, ampliando as incertezas.
Impactos políticos e econômicos
André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, afirma que o câmbio está fortemente influenciado por elementos políticos e pela expectativa do mercado em relação ao futuro. Apesar dos indicadores econômicos internos positivos, como crescimento do PIB e aquecimento do mercado de trabalho, há uma visão predominantemente pessimista sobre o cenário a longo prazo.
“Embora a economia esteja apresentando bons números, como consumo e produção elevados, as perspectivas futuras permanecem preocupantes, especialmente devido ao risco fiscal e à inflação”, afirma Galhardo.
O relatório Focus do Banco Central prevê uma taxa Selic de 15% ao final de 2025, acompanhada de uma inflação de 5%, acima da meta de 4,5%. As projeções recentes para o câmbio indicam um dólar em torno de R$ 6,00, refletindo um aumento significativo em relação às estimativas anteriores.
Cenário internacional e influência dos EUA
No âmbito externo, a volta de Donald Trump à Casa Branca e a política monetária dos Estados Unidos complicam ainda mais a situação. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, subiu 8% em 2024, impulsionado por juros altos e expectativas relacionadas ao governo republicano.
Galhardo observa que a manutenção de juros elevados nos EUA favorece o fluxo de investimentos para o dólar, considerado um porto seguro em períodos de incerteza. Esse movimento reforça a valorização da moeda americana, dificultando a recuperação do real.
Perspectivas para 2025
A XP revisou suas projeções para o dólar, estimando a moeda em R$ 6,20 no final de 2025 e R$ 6,40 em 2026. Segundo os economistas, os fatores que levaram à recente desvalorização do real devem persistir no curto prazo, mantendo os prêmios de risco elevados.
Mesmo um eventual aumento de juros pelo Banco Central não seja visto como suficiente para contribuições para o real, foi necessário apenas como medida estabilizadora para conter uma depreciação mais acentuada. “O dólar deve permanecer acima dos R$ 6, com viés de alta ao longo do ano”, conclui Galhardo.












