O dólar abriu em queda nesta segunda-feira (6) e firmou o movimento de baixa apesar de mais juros e inflação previstos no boletim Focus divulgado nesta manhã.
Investidores também repercutem reportagem do The Washington Post que indicou um aceno a tarifas mais moderadas por parte do governo Trump, que começa em 20 de janeiro.
Às 13h26, a moeda norte-americana caía 1,19%, cotada a R$ 6,108. Já a Bolsa disparava 1,19%, a 119.943 pontos, no mesmo horário.
No boletim Focus, divulgado nesta segunda, os economistas subiram as previsões para a taxa de juros, o dólar, a inflação e o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.
Os analistas elevaram a Selic para 15% em 2025. Na semana passada, a previsão estava em 14,75%. Já nos dois próximos anos, a perspectiva foi mantida em 12% (2026) e 10% (2027).
Já o dólar deve fechar em R$ 6 neste ano, de acordo com o mercado. É a primeira vez que a moeda alcança este patamar no boletim Focus. A cotação estava em R$ 5,96 na última semana.
A inflação também subiu, indo de 4,96% para 4,99%. A perspectiva do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ainda foi elevada em 2026 (de 4,01% para 4,03%) e 2027 (de 3,83% para 3,9%).
Por fim, o PIB foi outro indicador que teve alta, sendo elevada de 2,01% para 2,02%. Já a expectativa para os dois anos seguintes permaneceu em 1,8% (2026) e 2% (2027).
Mas o destaque da sessão, também visto como catalisador da alta das Bolsas globais e queda do dólar, é uma reportagem do jornal The Washington Post desta segunda que aponta que assessores de Trump estão explorando planos para implementar tarifas para todos os países do mundo, mas apenas sobre importações de produtos críticos para a segurança econômica e nacional do país. Trump retorna à Casa Branca em 20 de janeiro.
A reportagem sugeriu planos tarifários a serem implementados pelo novo governo mais moderados do que os esperados anteriormente. Trump havia prometido no ano passado impor tarifas sobre todas as importações de parceiros comerciais importantes, como China, México e Canadá.
“Essa mudança de abordagem pode mitigar algumas preocupações que geram aversão ao risco, como a possibilidade de uma guerra comercial e a inflação norte-americana mais elevada, abrindo espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve”, disse a analista de renda variável Bruna Sene, da Rico.
“Embora a situação permaneça incerta, essa perspectiva está animando os mercados nesta manhã, incluindo a bolsa brasileira, que retorna ao patamar dos 120 mil pontos após ter perdido esse suporte na semana passada.”
O índice do dólar que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas caía 0,88%, a 108,000, afastando-se de uma máxima de mais de dois anos atingida na semana passada.
Investidores também estão realizando ajustes após a alta volatilidade da semana passada, quando a baixa liquidez nos mercados permitiu que a divisa dos EUA acumulasse fortes ganhos em todo o mundo.
As atenções se voltarão nesta semana para uma série de dados de emprego nos EUA, com destaque para o relatório de criação de postos de trabalho fora do setor agrícola em dezembro, a ser divulgado na sexta-feira (10).
Agentes financeiros buscam novos sinais sobre a trajetória da taxa de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que indicou no mês passado que deve desacelerar o ritmo de cortes na taxa de juros nos próximos meses, após entregar 100 pontos-base acumulados de reduções em 2024.
As apostas de operadores colocam 90% de chance de os membros do banco central dos EUA manterem os juros inalterados na reunião deste mês.












