O Banco Central realizou nesta terça-feira (17) um leilão extraordinário de dólares no mercado à vista, movimentando US$ 1.272 bilhões. A ação ocorreu após o dólar disparar, impulsionado pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Às 10h22, a moeda norte-americana registrava alta de 1,29%, cotada a R$ 6,17.
Segundo a autoridade monetária, sete propostas foram aceitas no leilão, que ocorreu entre 9h36 e 9h41, com a taxa de corte inserida em R$ 6,1005.
Na ata divulgada, o Copom justificou o aumento da taxa básica de juros como uma resposta às interrupções da inflação no curto e médio prazo, além de citar a materialização de riscos como a desancoragem das expectativas e a depreciação cambial. O documento também destacou que a recente elevação das curvas de juros e a desvalorização do câmbio ocorreu em um ambiente mais desafiador.
O texto apontou ainda que o repasse da alta do câmbio aos preços é mais significativo quando a demanda interna é aquecida ou quando os agentes econômicos percebem o movimento cambial como persistente. “O comitê deve monitorar cuidadosamente os efeitos da taxa de câmbio e das condições financeiras sobre preços e atividade econômica”, afirmou o Copom.
A ata revelou que, na última reunião, o colegiado atualmente o dólar a R$ 5,95, valor já acima do registrado no encontro anterior, quando estava em R$ 5,75. No entanto, o câmbio desta terça-feira já superava esses níveis.
Mesmo com as intervenções, o BC enfrentou dificuldades para conter a alta do dólar. O cenário reflete a preocupação do mercado com o equilíbrio das contas públicas e a incerteza em torno da aprovação de medidas de contenção de gastos no Congresso.
Na semana passada (11), o Copom elevou a taxa Selic de 11,25% para 12,25% ao ano, com previsão de novos aumentos nas reuniões de janeiro e março de 2025. Caso o cenário se concretize, a Selic poderá atingir 14,25% ao ano, mesmo nível da crise de 2015-2016 no governo Dilma Rousseff.
Na segunda-feira (16), o BC já havia injetado US$ 4,6 bilhões no mercado de câmbio, sendo US$ 1,6275 bilhão em leilão à vista e US$ 3 bilhões em operações de recompra, conhecidos como leilões de linha . Apesar das medidas, o dólar aumentou o preço no maior valor nominal da história, cotado para R$ 6,091, com alta de 1,03%.
O real foi a moeda mais desvalorizada entre os mercados emergentes e as principais divisas globais. O Banco Central destacou que leilões extraordinários, como o desta terça-feira, são usados para reduzir disfuncionalidades no mercado e ajustar a cotação atendendo à lei da oferta e demanda, especialmente no fim do ano, quando há maior saída de dólares devido a remessas de empresas estrangeiras com operações no Brasil.












