O Ibovespa apresentou uma perda de 1,43%, aos 127.829,80 pontos, uma baixa de 1,851,90 pontos, depois de chegar a cair mais de 2%, no recuo mais amplo desde setembro de 2023. Foi uma sexta-feira chuvosa em São Paulo e melancólica para as ações. Com o elástico declínio de hoje, a semana terminou negativa em 0,23%, a terceira seguida no vermelho – as duas anteriores perderam 0,46% e 1,36%. O IBOV não fechava abaixo dos 128 mil pontos desde 7 de agosto último, quando subiu 0,99% e ficou com 127.513,88 pontos.
Três motivos levaram à venda generalizada nesta sexta. Um deles foi a China, cujo apoio fiscal não empolgou o mundo e afetou Bolsas por todo o lado. Outro foi a demora e consequente frustração do mercado pelo anúncio adiado das medidas de corte de gastos por parte do governo brasileiro. Ficou mesmo para a semana que vem. E, finalmente, o IPCA de outubro, que veio mais forte do que esperavam os especialistas.
Inflação brasileira
A projeção não é das melhores. Para a XP, a leitura de hoje revela o cenário desafiador atual e prospectivo para a inflação brasileira, uma vez que todos os indicadores mais relevantes para a condução da política monetária estão próximos ou acima da meta. “Além disso, os fundamentos – expectativas, dados do mercado de trabalho, demanda doméstica e taxa de câmbio – indicam que a inflação não convergirá sem uma resposta adequada da política monetária”.
Caio Megale, economista-chefe da XP, disse que o Banco Central sinaliza ser duro na resposta casa a inflação continue ameaçando fugir da meta. “Tivemos pressões crescentes inflacionárias ao longo do ano por conta do câmbio, aumento de custos laborais das empresas, demanda muito aquecida e sinalizações de que a ociosidade da economia está apertando”, explicou. “Quando a ociosidade da economia aperta, as pressões inflacionarias começam a crescer”, acrescentou.
Com isso, o dólar comercial também disparou, chegando a subir quase 2%, para então desacelerar e fechar com mais 1,09%, a R$ 5,73. O mesmo aconteceu com os DIs (juros futuros), que diminuíram o ritmo de altas, mas ainda assim fecharam com avanços por toda a curva.
Em Wall Street, ao contrário, o cenário é bem diferente. Após o corte de juros pelo Federal Reserve ontem, os principais índices hoje aceleraram e tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 bateram novos recordes de alta durante a sessão – ultrapassando pela primeira vez na história as marcas de 44 mil e 6 mil pontos, respectivamente.
Vale despenca e Petrobras sobe com balanço
Do lado de cá, a febre dos três motivos encolheu os ativos. Vale (VALE3), que ontem disparou mais de 3%, ontem fez caminho contrário, com baixa de 4,61%, puxando o Ibovespa para baixo. O minério de ferro sofreu com os estímulos decepcionantes do governo chinês à economia. As siderúrgicas vieram juntas abaixo: CSN (CSNA3) perdeu 4,39% e Usiminas (USIM5) caiu 6,02%. As ações da Gerdau, que subiram fortemente nos últimos dois dias, caíram com menor intensidade: 0,20% (GGBR4) e 0,95% (GOAU4).
Os bancos também contribuíram para o quadro sinistro desta sexta-feira. Os principais nomes ficaram no vermelho: BB (BBAS3) perdeu 0,76%; Bradesco (BBDC4) desceu 1,10%; Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 1,57% e Santander (SANB11) desvalorizou 1,22%.
Entre o fechamento de ontem e a abertura de hoje, a temporada de balanços do 3T24 teve o seu momento mais ativo, com muitas empresas importantes abanando seus números ao vento. Destaques importantes vão para Natura (NTCO3), que subiu 2,90%, vendo nível de margem bruta na América Latina como bastante saudável; Magazine Luiza (MGLU3), que ganhou 2,35%, continuando a recuperar as margens; Lojas Renner (LREN3), que despencou 6,14%,mesmo com resultados em linha, mas após altas expectativas; Assaí (ASAI3), que desvalorizou 2,91%, com queda no lucro; e Embraer (EMBR3), que decolou 7,47%, com trimestre considerado sólido.
Mas o mais importante foi mesmo o balanço de Petrobras (PETR4), que fez as ações subirem 1,89% hoje. Mais do que o resultado, dividendos surpreenderam e indicaram que há espaço para mais.
A semana, enfim, acabou. Teve de tudo: eleições nos EUA e volta de Donald Trump à Casa Branca; teve decisão sobre a Selic; teve novo corte de juros pelo Fed e pelo Banco da Inglaterra; teve a China se virando nos trinta para estimular a economia; teve inflação no Brasil. Ufa.
Semana que vem, porém, não alivia: tem ata do Copom (terça, 12), CPI nos EUA (quarta, 13), prévia do PIB brasileiro, com o IBC-Br (quinta, 14), e mais dados da economia chinesa.












