O Ibovespa fechou com queda de 0,24%, aos 130.340,92 pontos, uma baixa de 319,83 pontos, mas não há ninguém que não admita: podia ser pior. A própria abertura do pregão mostrou isso: queda ampla, mais de 1% de recuo, com investidores tentando processar a grande notícia do dia (e do ano), a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas, em uma disputa que não teve nada de acirrada e mostrou uma “varrida” dos republicanos, que levaram não só a presidência, como a maioria nas duas casas do Congresso.
O mundo acompanhou de perto. Na Europa, queda nas ações, com medo das barreiras tarifárias do velho-novo comandante eleito. Na China, preocupações com a vulnerabilidade comercial nesse novo mandato. No Brasil, apreensão. “O dia amanheceu mais tenso, em função do que foi dito na campanha”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “O discurso pós-vitória já é um discurso mais moderado do que o da campanha. Então, temos de aguardar um pouquinho e cuidar da nossa casa, cuidar do Brasil, cuidar das finanças, cuidar da economia”.
Analistas dizem que vitória cria um “embaraço” ao governo Lula. Mas o assessor de Lula para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, projeta pragmatismo no trato diplomático entre as duas potências americanas.
Dólar e quadro fiscal
Mas há muitas outras questões. Uma delas diretamente endereçada ao problema mais agudo visto pelo mercado: o fiscal brasileiro. Para Fábio Zambeli, vice-presidente da consultoria Ágora Assuntos Públicos, o contexto reforça ainda mais a necessidade de “uma política fiscal rigorosa, pautada pelo controle das contas públicas”. Para ele, “o tema ganha ainda mais relevância em um momento crítico, pois Haddad se encontra em intensas discussões com outras áreas do governo para a elaboração de um pacote de medidas de contenção de despesas”. Haddad diz que as conversas sobre corte de gastos foram concluídas.
Outra questão foi o dólar. A moeda começou o dia disparando e depois sossegou, para fechar com a terceira queda seguida, dessa vez com menos 1,26%, a R$ 5,674. O movimento frente ao real acabou se descolando do visto globalmente – até o Google errou feio nessa gangorra e virou meme.
Em Wall Street, os principais índices disparam em euforia, com altas em torno dos 3%. Mas os Treasuries também aceleraram, com novas incertezas colocadas para o Fed, que decide sua nova taxa de juros amanhã. Os DIs (juros futuros) no Brasil flutuaram durante a sessão, para terminarem com curtas altas por toda a curva. O impacto chegou também nas criptomoedas.
Gerdau dispara, Vale cai
Dado o quadro de extremos e de euforia e incerteza, a vitória de Trump acabou abalando menos o Ibovespa. O estrago grande visto no início da sessão não se sustentou porque as ações da Gerdau dispararam com amplitude, graças ao balanço do 3T24 e a dividendos: GGB4 subiu 9,61% e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) ganhou 9,15%.
PRIO (PRIO3) também subiu com o balanço, 1,39%. E Embraer (EMBR3) contribuiu com mais 3,02%.
Mas os pesos-pesados não foram bem: Petrobras (PETR4) passou o dia em queda ou próximo da estabilidade, para fechar com mais 0,03%; enquanto Vale (VALE3) recuou amplos 1,13%.
Os bancos ficaram mistos, com BB (BBAS3) e Santander (SANB11) subindo 0,19% e 0,86%, enquanto Bradesco (BBDC4) caiu 0,86% e Itaú Unibanco (ITUB4) lutou, chegou a ficar positivo, mas terminou mesmo com menos 0,47%.
Lojas Renner (LREN3) terminou no zero a zero, mas o varejo viu também a queda de Carrefour (CRFB3), com 3,63%.
O equilíbrio de forças que não se viu nas urnas nos EUA, acabou sendo demonstrado nos negócios em São Paulo. Mas hoje, o dia ainda não acabou, por assim dizer. Ainda nesta quarta, o Banco Central decide a nova Selic. O aumento contratado pelo mercado é de 0,50 pp, mas o comunicado será analisado com profundidade. A vitória de Trump pode mexer tudo daqui para frente. Qualquer detalhe, então, é importante.












