Os títulos argentinos em dólar registraram uma forte alta no início das negociações desta quarta-feira (06), enquanto o índice de risco do país caiu significativamente. A transmissão reflete o otimismo dos investidores com a perspectiva de um fortalecimento dos laços entre o presidente argentino, Javier Milei, e o recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os títulos negociados no exterior subiram, e o risco-país, que mede o prêmio exigido pelos investidores para deter títulos argentinos em comparação com a dívida americana, caiu para pouco mais de 880 pontos-base — seu nível mais baixo em cinco anos.
O mercado argentino já vinha demonstrando otimismo com as políticas de austeridade e pró-mercado de Milei, economista e ex-comentarista de TV, conhecido por seu estilo enérgico e pela abrangência com algumas das políticas de Trump, que venceu a eleição presidencial americana na terça -feira (05).
Nas ruas de Buenos Aires, muitos enxergam a vitória de Trump como um fator positivo para a economia argentina. Milei, que usou uma motosserra como símbolo de sua campanha por cortes de gastos e é famoso por cantar rock, foi apelidado de “El Loco” (O Louco). Ele se tornou um ícone da direita global e se mudou de Trump e de aliados como Elon Musk.
“Eu acho que eles vão se dar bem”, afirmou Micaela Saracero, de 29 anos, moradora de Buenos Aires, referindo-se à relação entre Milei e Trump. “Em termos econômicos, isso pode ter um grande impacto na Argentina se os dois, com suas personalidades excêntricas, se entenderem bem.”
Damian Roux, um jovem de 23 anos também de Buenos Aires, decidiu que a vitória de Trump pode ser positiva para a Argentina. “Acredito que o relacionamento entre Milei e Trump será benéfico e espero que isso favoreça a Argentina, que é o que mais desejo”, disse.
A aproximação entre os dois líderes pode beneficiar o programa de empréstimo de US$ 44 bilhões da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), especialmente considerando a expectativa de negociações para um novo programa no próximo ano. Os Estados Unidos possuem o maior poder de voto na instituição.
No entanto, os analistas alertam que uma vitória de Trump pode pressionar o peso argentino, especialmente devido à possibilidade de uma nova política tarifária dos EUA contra países como a China, o que poderia afetar proporções a moeda argentina. “Os argentinos ainda não perceberam, mas uma vitória de Trump (com possíveis tarifas sobre a China e outros países) pode provocar uma grande pressão depreciativa sobre o peso”, disse o Goldman Sachs no relatório.












