O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento do Brasil em 2023, de 2,1% para 3%, a maior revisão entre as 16 principais economias. No entanto, para 2025, a previsão do PIB do Brasil caiu de 2,4% para 2,2%. O relatório faz parte do “World Economic Outlook”, divulgado durante reuniões em Washington com autoridades financeiras
Consumo forte com geração de emprego
De acordo com o relatório, a melhora para a previsão do PIB brasileiro neste ano se deve a um desempenho mais forte que o esperado do consumo privado no país e dos investimentos no primeiro semestre devido à maior geração de empregos e à transferência de renda do governo por meio de programas sociais.
O Fundo também destaca consequências menores para o país com as enchentes no Rio Grande do Sul.
Isso significa que o Brasil deve ter um desempenho neste ano melhor que a previsão para toda a América Latina: 2,1%. Em 2025, a região deve ficar um pouco melhor: 2,5%.
Juros mais altos devem conter crescimento no Brasil em 2025
O relatório do FMI aponta que a necessidade de manter juros altos para controlar a inflação no Brasil justifica uma previsão de menor crescimento para 2025, com possível impacto no mercado de trabalho. A nova projeção do FMI é próxima da estimativa do governo Lula, que revisou o PIB de 2,5% para 3,2%. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, espera um crescimento médio acima de 2,5% ao ano até o fim do mandato de Lula,
Nova fase para a economia global
O estudo, divulgado durante as reuniões anuais do FMI com autoridades de finanças dos países membros, traça um panorama da economia mundial.
O relatório diz que a batalha global contra a inflação no pós pandemia foi “largamente vencida”, mas alerta que ainda há pressões de preços persistentes. De acordo com as projeções do FMI, depois do pico de 9,4% ao ano no terceiro trimestre de 2022, a inflação mundial deve baixar a 3,5% no fim de 2025, abaixo da média entre 2000 e 2019, pré-pandemia.
Na maioria dos países, segundo o Fundo, a inflação está se aproximando das metas estabelecidas para seus bancos centrais. Apesar da onda de aperto monetário em todo o mundo para conter a inflação, o FMI destaca que a economia global se manteve resiliente, contrariando os temores dos economistas de uma recessão provocada por juros altos. Agora, as taxas básicas começam a cair, inclusive nas duas maiores economias do mundo, EUA e China.
Vencida a inflação global, o FMI, no entanto, aponta outros riscos para a economia no planeta, como a escalada de conflitos militares regionais (como na Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Sudão) e seu impacto nas commodities, juros altos por mais tempo que o necessário e uma possível volta da volatilidade nos mercados financeiros com efeitos negativos no mercado de títulos soberanos de dívida e um crescimento mais moderado da economia chinesa.
O Fundo também alerta para os limites que o protecionismo crescente e o uso de políticas industriais podem impor ao comércio internacional.
Para o FMI, o declínio da inflação sem provocar uma recessão global é um resultado a se comemorar, resultado em taxas mais altas de crescimento econômico nas economias mais ricas e em desenvolvimento.
Entre as economias avançadas, o crescimento previsto do PIB dos Estados Unidos neste ano é forte, segundo o FMI: 2,8% previstos, ante 2,6% na projeção anterior. Na Europa, uma recuperação modesta no crescimento é esperada neste ano, com retomada da produção próxima ao potencial do continente.
Nos mercados emergentes e países em desenvolvimento, o FMI espera crescimento de 4,2% neste ano – mesma projeção de julho -, com a continuidade de um desempenho robusto de países asiáticos.
Para a retomada do crescimento após a fase inflacionária, o FMI diz que há espaço para o que chamou de triplo pivô. O primeiro dos três instrumentos seria a política monetária, com queda dos juros já em curso nas principais economias, para incentivar o aumento da produção e o emprego. O relaxamento da política monetária nos países ricos permite que os emergentes também cortem juros, diz o FMI.
O segundo pivô é a política fiscal. O FMI tem alertado para o descontrole das dívidas soberanas no mundo, que pode somar US$ 100 trilhões no fim deste ano. O alto endividamento reduz os espaços orçamentários dos governos para investimentos e serviços para as populações. O relatório prega um aperto nos cintos:
“Após anos de afrouxamento na política fiscal em muitos países, é agora tempo de estabilizar a dinâmica de dívida e reconstruir as muito necessárias reservas orçamentárias”.
O que o FMI chama de terceiro “e mais difícil” pivô reside nas reformas estruturais. Segundo o relatório, há muito a se fazer nas estruturas institucionais e produtivas dos países para aumentar a produtividade e o potencial de crescimento das economias para lidar com problemas sociais como o envelhecimento e encolhimento da população em muitas regiões e o desafio de combater e lidar com as consequências das mudanças climáticas.
Fonte: UOL Economia












