Hoje, o Ibovespa teve um dia para esquecer: queda de 1,39%, aos 127.652,06 pontos, uma robusta perda de quase 1,8 mil pontos. O índice não recuava com essa magnitude desde 12 de junho último, quando perdeu 1,40%. O dólar comercial seguiu em alta, como ontem, agora com mais 1,89%, para R$ 5,58. Os DIs (juros futuros) subiram com amplitude, de quase 2%, por toda a curva.
O culpado por esse dia desastroso foi, mais uma vez, o fiscal no Brasil. O déficit primário recorrente do Brasil foi de 1,6% do PIB nos 12 meses encerrados em junho de 2024, de acordo com Relatório de Acompanhamento Fiscal, da Instituição Fiscal Independente (IFI), divulgado hoje. Assim, a instituição calcula que será necessário um esforço fiscal equivalente a 1,3 ponto percentual do PIB para que seja alcançada a meta fiscal de déficit primário zero do governo em 2024. As receitas teriam crescido 6,0% e as despesas teriam aumentado em 10,9% no primeiro semestre de 2024.
Com a pressão dos analistas, do mercado, da oposição e agora da IFI, o governo federal já vinha acenando com cortes. Mas ninguém tem levado muito a sério, porque discurso é discurso, prática é prática. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse hoje que o governo tem o compromisso, determinado pelo presidente Lula, de não gastar mais do que arrecada, acrescentando que tal premissa vai se refletir no Orçamento do próximo ano, que está sendo elaborado pela equipe econômica.
“Nós temos um compromisso com o país, por determinação do presidente e da equipe econômica, de não se gastar mais do que arrecada, então o nosso Orçamento do ano que vem tem que trazer as despesas necessárias para atender todas as demandas do Brasil, mas elas não podem passar daquilo que arrecadamos, porque o Brasil não pode seguir devendo, porque isso tem impacto muito grande na vida das pessoas”, falou a ministra.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que o Orçamento de 2025 já tem os limites por ministérios distribuídos pelo Planejamento. “O que nós estamos fazendo é colocar os limites orçamentários nos termos do arcabouço fiscal. A divisão entre ministérios é uma negociação que cabe mais ao Planejamento fazer”, disse o ministro.












