O grupo terrorista Hamas afirmou nesta terça-feira (30) que está estudando a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para finalizar a guerra na Faixa de Gaza. No entanto, o grupo palestino não deu prazo para resposta. Israel já aceitou o plano apresentado por Trump ainda na segunda-feira.
“O Hamas inicia hoje uma série de consultas entre seus dirigentes políticos e militares, tanto dentro como fora da Palestina. As conversas podem durar vários dias, dada sua complexidade, em particular para coordenar a comunicação entre os membros da liderança e os movimentos após a agressão israelense em Doha”, afirmou uma fonte do Hamas, sob condição de anonimato, à agência de notícias AFP.
A proposta de Trump tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados. Integrantes do grupo terrorista Hamas podem receber anistia, desde que entreguem suas armas e se comprometam com a convivência pacífica.
A fonte do Hamas acrescentou à AFP que o Hamas dará uma resposta “que representará o Hamas e os movimentos da resistência” palestinos. Outra fonte palestina também confirmou à AFP que o Hamas está examinando o plano.
Em coletiva de imprensa na segunda-feira, Trump disse que apoiará medidas militares para eliminar o Hamas de forma definitiva caso o grupo terrorista rejeite a proposta. Já Netanyahu declarou que concorda com o plano e que Israel avançará na ofensiva caso o acordo não seja fechado.
“Se o Hamas rejeitar seu plano, senhor presidente, ou se supostamente aceitá-lo e depois basicamente fizer de tudo para contrariá-lo, então Israel concluirá o trabalho por conta própria”, disse Netanyahu.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou nesta terça que “a delegação do Hamas prometeu estudar [o plano] de forma responsável”, e disse que o governo catari realizará conversas com negociadores do grupo terrorista e com o governo turco para discutir a proposta de Trump.
Um oficial com conhecimento das tratativas internas do Hamas afirmou à agência de notícias Reuters nesta terça que “os negociadores analisariam a proposta de boa-fé e dariam uma resposta”.
Veja abaixo o que se sabe sobre a nova proposta de Donald Trump para o fim da guerra na Faixa de Gaza:
1. O que Israel disse sobre a proposta?
Netanyahu se reuniu com Trump na Casa Branca nesta segunda-feira. Mais tarde, em coletiva de imprensa ao lado do presidente americano, o premiê israelense disse que apoiava o plano para encerrar o conflito em Gaza.
“Isso trará de volta a Israel todos os reféns, desmantelará as capacidades militares do Hamas, encerrará seu domínio político e garantirá que Gaza nunca mais represente uma ameaça”, afirmou.
Ele acrescentou que, se o Hamas rejeitar o acordo, Israel concluirá o trabalho para eliminar o grupo terrorista. Segundo Netanyahu, o conflito será finalizado “da maneira mais fácil ou da maneira mais difícil”, a depender da resposta do inimigo.
Por outro lado, o premiê israelense demonstra resistência a alguns pontos do plano de Trump, principalmente sobre a criação de um Estado palestino no futuro, segundo a agência Reuters.
- Recentemente, Netanyahu afirmou várias vezes que não permitiria o surgimento do Estado da Palestina.
- Na semana passada, em discurso na ONU, ele disse que isso seria uma “insanidade”. Aceitar essa proposta agora representaria uma mudança brusca de posição.
Internamente, Netanyahu enfrenta forte pressão. Pesquisas indicam que a população está cansada da guerra, enquanto famílias de reféns exigem uma solução rápida. Ao mesmo tempo, ministros da coalizão podem derrubar o governo se considerarem que houve concessões excessivas para a paz.
2. O que a proposta diz sobre o novo governo de Gaza?
Após o acordo, Gaza passaria a ter um governo temporário de transição formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, responsável por administrar os serviços públicos do dia a dia.
- O grupo seria composto por palestinos considerados “qualificados” e especialistas internacionais.
- Todo o trabalho ficaria sob supervisão do chamado “Conselho da Paz”, chefiado por Donald Trump.
- Caberia a esse comitê administrar os recursos para a reconstrução da Faixa de Gaza.
- O Hamas e outras facções palestinas estariam impedidos de participar do novo governo, direta e indiretamente.
No futuro, o poder seria transferido para a Autoridade Palestina — reconhecida internacionalmente como governo dos territórios palestinos. Essa transferência, porém, está condicionada a reformas na própria Autoridade Palestina.
O plano também prevê um pacote econômico e de desenvolvimento a ser elaborado por um painel de especialistas. Segundo a Casa Branca, esses profissionais já participaram da criação de cidades modernas no Oriente Médio.
Em relação à segurança, Gaza passaria por desmilitarização, com a destruição de toda a infraestrutura bélica e proibição de novas instalações. O processo seria supervisionado por monitores independentes.
- Será criada a Força Internacional de Estabilização (ISF), composta por atores estrangeiros encarregados de treinar a nova polícia palestina, que assumirá a segurança interna.
- As Forças de Defesa de Israel se retirariam gradualmente de Gaza, entregando os territórios ocupados à ISF.
- Haveria ainda um perímetro de segurança para que militares israelenses permanecessem posicionados até que o risco de ressurgimento de ameaças terroristas fosse eliminado.
Fonte: G1












