Dados do IPC Maps, especializado em potencial de consumo brasileiro, apontam que Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré devem somar, juntas, R$ 3,5 bilhões em despesas com saúde ao longo de 2025 – um aumento de 7,7% em relação ao ano passado, quando os gastos totalizaram R$ 3,2 bilhões.
O levantamento inclui desde gastos com medicamentos e itens para curativos até despesas com planos de saúde e tratamentos médicos e odontológicos. Só esse último grupo deve consumir R$ 1,9 bilhão do total estimado, enquanto os gastos com medicamentos devem alcançar R$ 1,6 bilhão.
Para o economista Hugo Garbe, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o crescimento é explicado por uma combinação de fatores conjunturais e estruturais.
“Existe um componente inflacionário importante, já que medicamentos e planos de saúde costumam ter reajustes acima do IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]. Mas também há um aumento real da demanda, impulsionado pelo crescimento populacional, formalização do mercado de trabalho e maior acesso à saúde suplementar”, analisa.
Garbe destaca ainda que a pandemia da Covid-19 provocou uma transformação no comportamento do consumidor, que passou a adotar práticas preventivas e buscar mais segurança na área da saúde. “A sensibilidade ao risco sanitário aumentou. Isso se reflete no maior consumo de medicamentos, consultas eletivas e na adesão a planos médicos e odontológicos”, completa.
O aumento nas despesas com saúde também indica uma mudança no perfil socioeconômico da população da RPT (Região do Polo Têxtil). Segundo o economista, o gasto com planos privados está diretamente ligado ao avanço da renda e à formalização do emprego.
“As famílias com vínculos mais estáveis tendem a incluir a saúde privada entre suas prioridades, buscando previsibilidade e qualidade no atendimento. É um comportamento típico das classes médias emergentes”, afirma Garbe.
Além disso, o aumento no consumo de medicamentos pode refletir o envelhecimento da população e uma maior sofisticação na forma de cuidar da saúde. “Há mais procura por medicamentos de marca, suplementos e produtos para uso contínuo, o que mostra não só poder de compra, mas também maior consciência sobre bem-estar”, complementa.
Expansão do setor abre oportunidades para negócios e empregos
Com esse cenário de crescimento, a área da saúde se consolida como uma das mais promissoras para investidores e empreendedores da região. Para o professor Hugo Garbe, o volume previsto de R$ 3,5 bilhões torna a RPT (Região do Polo Têxtil) um mercado atrativo para clínicas, operadoras de planos, distribuidoras farmacêuticas e até startups da área.
“Estamos falando de uma cadeia produtiva ampla, que pode gerar empregos qualificados, estimular parcerias público-privadas, fomentar a inovação em saúde e atrair capital privado”, afirma.
A tendência é que o setor se beneficie de um ciclo de crescimento sustentável, com impactos positivos não só na economia local, mas também na qualidade de vida da população.
Apesar do aumento nos gastos com medicamentos, o varejo farmacêutico enfrenta desafios na região. Entre 2024 e 2025, ao menos 10 farmácias encerraram as atividades na RPT, reduzindo o total de estabelecimentos para 494.
O fechamento de unidades pode estar relacionado à concorrência acirrada no setor, custos operacionais e mudanças no comportamento de compra dos consumidores, que têm recorrido cada vez mais às compras online e à busca por preços em grandes redes.












