O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (5) que o bilionário Elon Musk está irritado com seu governo porque o republicano “acabou com o mandato do carro elétrico”.
“Mandato do carro elétrico” é um apelido dado por Trump às políticas de descarbonização e eletrificação implementadas durante o governo do ex-presidente Joe Biden, que incentivavam a produção de veículos sustentáveis na indústria automotiva americana.
Durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, na Casa Branca, Trump respondeu às críticas feitas por Musk nesta semana ao megaprojeto de lei orçamentária enviado ao Congresso dos EUA. Na terça-feira (3), o bilionário classificou o texto como “repugnante, escandaloso e eleitoreiro”.
“É uma abominação repugnante. Os que votaram a favor deveriam sentir vergonha: sabem que erraram. Eles sabem”, declarou Musk. (saiba mais abaixo)
Trump afirmou que Musk já sabia que o projeto seria enviado e que “não sabe se eles terão uma ótima relação como antes”.
Pouco depois, Elon Musk respondeu pela rede social X. “Tanto faz. Mantenham os cortes nos incentivos para veículos elétricos e energia solar no projeto, mesmo que os subsídios para petróleo e gás não sejam tocados (muito injusto!!).”
Depois da troca de farpas, as ações da Tesla ampliaram a queda que já registravam no início do pregão. Antes dos pronunciamentos, a queda era de 3%. Depois, chegaram a cair quase 6%.
No acumulado do ano, as ações da Tesla já recuam 22%. A proximidade de Musk com Trump, e sua inclinação por pautas de extrema direita, geraram protestos contra a Tesla nos últimos meses, afastando consumidores e preocupando os acionistas com possíveis prejuízos à imagem da marca.
Críticas de Musk
Elon Musk afirmou na terça-feira (3) que o texto do projeto de lei irá aumentar o déficit orçamentário em US$ 2,5 trilhões (R$ 14 trilhões). Segundo ele, isso “sobrecarregará os americanos com uma dívida esmagadoramente insustentável”.
O bilionário declarou que o Congresso está levando os Estados Unidos à falência. Atualmente, tanto a Câmara quanto o Senado têm maioria republicana — mesmo partido de Trump.
Um dos principais aliados de Trump na campanha presidencial de 2024, Musk ganhou destaque no governo dos Estados Unidos ao comandar o Departamento de Eficiência Governamental (Doge). No cargo, ficou responsável por cortar gastos da administração pública.
O bilionário deixou o comando do Doge em 28 de maio, um dia após conceder uma entrevista criticando o plano fiscal proposto por Trump. Em 30 de maio, ele apareceu ao lado do presidente no Salão Oval da Casa Branca para uma despedida formal. Nos bastidores, no entanto, o entorno de Trump já demonstrava incômodo com a imprevisibilidade de Musk. Segundo a imprensa americana, aliados afirmavam que o bilionário havia se tornado um “fardo político”.
A agência Reuters noticiou ainda que a saída de Musk do Doge aconteceu de forma “rápida e sem cerimônias”. Fontes da Casa Branca afirmaram que o bilionário não teve uma conversa formal com o presidente antes de pedir demissão.
No sábado (31), Trump anunciou que tinha desistido de indicar um aliado de Musk para comandar a Nasa, sem explicar o motivo. Uma fonte da agência Reuters com conhecimento no assunto afirmou que o bilionário ficou desapontado com a medida.












